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Bandidos tentaram invadir Masp três dias antes de furto

São Paulo – 21/12/2007

Após o furto de duas obras do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na quinta-feira (20), a  polícia foi informada que três dias antes, bandidos já haviam tentado arrombar o museu. Na tentativa, ocorrida segunda-feira (17), os criminosos usaram um maçarico para poder forçar porta.
Apesar da ação, não foi registrado boletim de ocorrência. “Eles não registraram nada. Ficamos sabendo só depois”, afirmou o delegado Marcos Gomes Moura, titular do 78º Distrito Policial, dos Jardins. ´
Na manhã desta sexta-feira (21), Moura foi orientado a passar o caso para a 1ª Delegacia Seccional de Policial, localizada no Centro de São Paulo. “No fim, foi melhor mesmo. Eles têm mais estrutura e mais gente para trabalhar no caso”, disse o titular.
Os depoimentos de funcionários do Masp, que aconteceriam ao longo do dia, serão transferidos para a Seccional. “Nós seguimos ajudando com o caso, mas a investigação agora é deles”, explica Moura. Pouco antes de receber a orientação, o delegado disse que pretendia ouvir cerca de 15 empregados do museu.
Furto – Na madrugada de quinta-feira (20), os quadros “O lavrador de café”, de Cândido Portinari, e “Retrato de Suzanne Bloch”, de Pablo Picasso, foram levados do museu. Os bandidos usaram um pé-de-cabra e um macaco hidráulico na invasão.
No dia 29 de outubro, dois homens conseguiram invadir o museu. Eles renderam seguranças e tentaram chegar ao segundo andar, onde está o acervo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a dupla fugiu sem levar nada.
Seguro – As duas obras furtadas não tinham seguro. Juntas, elas valem cerca de US$ 55,5 milhões (aproximadamente R$ 100 milhões). Segundo a assessoria de imprensa do museu, “não é comum segurar as obras de arte e seria inviável segurar obras tão caras”. As telas foram levadas com moldura.
Três minutos – Três assaltantes, de acordo com a polícia, teriam invadido o prédio e, em apenas três minutos, levado os dois quadros. Há a suspeita de que uma quarta pessoa tenha participado do furto. De acordo com os policiais, ela teria permanecido do lado de fora do prédio, sentinela que poderia avisar os colegas se algo saísse errado. Os policiais chegaram a essa conclusão logo após um fone de ouvido ter sido encontrado no local. O equipamento teria sido usado como meio de comunicação.
Por conta do tamanho do furto – o mais grave, segundo a direção, em 60 anos de existência do museu -, o Masp decidiu acionar a Interpol, a Polícia Federal (PF) e o Itamaraty para ajudar nas investigações. Em nota oficial, assinada por Fernando Pinho, superintendente Administrativo e Financeiro, o museu também informou que vai abrir sindicância interna. No momento do assalto, ocorrido no segundo andar, os três vigias de plantão estavam no subsolo. De acordo com Pinho, “os quadros ficavam em salas separadas e distantes, caracterizando, portanto, alvos específicos da ação”. Às 5h09 o circuito interno do prédio registrou a entrada dos assaltantes. Se as luzes estivessem acesas, a polícia teria como identificar um homem que não escondeu o rosto. Com base em depoimentos de funcionários da segurança, o delegado Marcos Gomes de Moura, titular do 78º DP, nos Jardins, afirmou que não há alarme na porta de entrada e nem nas salas onde estavam os quadros furtados. Moura também acredita que o furto foi uma ação encomendada e orquestrada por profissionais. “Não são obras vendidas em qualquer feira. São raridades. Isso é encomendado e não vai para galeria de arte”, disse.

Fonte: G1

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