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Bairro sofre a falta de planejamento

Cachoeirinha – 17/09/2007

O local recebeu o nome de Cachoeirinha por causa de uma cachoeira muito visitada, queda do córrego Água Boa, foi o que contou para a reportagem da folha de dourados o antigo morador e presidente do bairro, José Emilio Pigalli, mais conhecido como Zé Bicicleteiro. “A cachoeira era muito bonita, as pessoas vinham aqui pra tomar banho passar as tardes de domingo, só que tudo foi acabando, o córrego foi ficando poluído e hoje só quem se arrisca em tomar banho nessas águas são os jovens que perambulam por aqui”, conta Zé. Hoje, ao invés da cachoeira, a violência se tornou o principal referencial do bairro.
 
O lugar que em um passado distante foi uma reserva ambiental importante do Município, com nascentes e muito verde, foi transformado equivocadamente em área de habitação, como atesta o presidente da Salvar (Sociedade de Defesa Ambiental), Luiz Carlos Ribeiro: “o bairro foi construído em uma área de preservação ambiental permanente, o que facilita os alagamentos que ocorrem no local; ele abriga o local de encontro dois córregos da cidade: o Rego D’água e o Água Boa (…); toda a área deveria ter sido preservada; mas, hoje, com um grande número de pessoas residindo ali, o trabalho de revitalização ficou dificultado”, explicou Ribeiro.
 
Antes da chegada dos moradores o bairro era usado para depósito de lixo e entulho, era considerado zona morta de Dourados. Hoje, abriga mais de cinco mil habitantes, população próxima a de muitos municípios do Estado. Escolas, postos de saúde, várias lojas comerciais favorecem a um aspecto urbano para o bairro periférico.
  
Medo – O bairro é considerado pelos próprios moradores como um dos mais violentos de Dourados. A reportagem da folha conversou com um dos moradores, que preferiu não se identificar, e que conta que “pensa muito” antes de sair de casa depois que escurece. “Aqui a gente não pode falar muita coisa, mas quando escurece eu prefiro ficar dentro de casa porque é muito perigoso, sai tiroteio (…) aqui a violência é tão grande que nem as crianças estão livres dela dentro da escola”, relatou.
 
Segundo o presidente do bairro, o próprio policiamento é prejudicado pela situação que se encontram as ruas da região. “Qualquer hora o camburão da policia vai cair dentro dos buracos (…) nós não queremos apenas um patrolamento queremos pavimentação e esgoto”, disse ele.
 
Nos últimos anos a Prefeitura vem realizando melhorias na infra-estrutura do bairro. O problema crônico e constante de alagamento foi bastante reduzido, e a implantação de drenagem em algumas ruas melhorou a qualidade de vida quanto ao aspecto de saúde pública e preservação ambiental.
 
Para uma das moradoras do bairro que se identifica apenas como Preta, mesmo com os investimentos já feitos, muitas outras melhorias ainda precisam ser realizadas dentro do Cachoeirinha, como pavimentação asfáltica, segurança pública, saúde e educação. “Falta muita coisa ainda aqui no nosso bairro, precisamos que os políticos olhem para a Cachoeirinha, aqui é a periferia mais existem seres humanos aqui”, disse ela.
 
A saúde é dos setores que os moradores mais reivindicam melhorias, como é o caso de Izabel Silva que esperou mais de três meses por um tratamento. “São muitas pessoas aqui do bairro que necessitam de uma consulta e não conseguem marcar aqui no posto de saúde, um exemplo disso foi minha vizinha que esperou quatro anos por um exame, e acabou perdendo a audição por isso”, contou ela.
 
Uma das construções de maior visibilidade, segundo o secretário de Habitação e Serviços Urbanos, Jorge Hamilton Marques Torraca, foi a Via Parque com aproximadamente 2 quilômetros, toda asfaltada, com ciclovia lateral ponte para veículos e passarela para pedestres, onde ali havia apenas uma pequena passagem o que dificultava a vida de muitas pessoas da região. “Com a construção 409 famílias foram transferidas para outras localidades, pois ali é um lugar de muita enchente (…) com os recursos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) uma revitalização no córrego poderá ser feita”, disse o secretário.
 
Além das melhorias com o programa Habitar Brasil, uma parceria dos governos municipal, estadual e federal, o Cachoerinha ganhou importantes benefícios, como a construção do Centro de Referência de Assistência Social (Cras); construção do Centro de Educação Infantil “Irany de Matos”; construção de biblioteca e implantação do laboratório de informática na escola “Arthur Campos Mello”. 
 

Fonte: Folha de Dourados

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