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Avicultura quer enfrentar crise com menor produção

Nacional – 21/10/2008

A crise financeira mundial está batendo às portas da economia real e já coloca de sobreaviso um dos principais setores exportadores brasileiros: a avicultura. Com 35% da produção voltada para o mercado externo, o setor não quer ser surpreendido com excesso de carne no próximo ano. O momento é de cautela e de corte na produção, avaliam dirigentes de associações do setor.
Tudo o que a avicultura não quer ver é o filme do primeiro semestre de 2006, quando os consumidores brasileiros foram brindados com preços extremamente baixos e embalagens escritas em árabe e em russo. Aquele produto, que deveria ser comercializado no mercado externo, acabou ficando no interno devido à queda mundial de demanda. A alegria dos consumidores custou caro para os produtores.
Se naquele ano os problemas vieram da própria avicultura, devido ao avanço da gripe aviária, que provocou forte queda mundial de consumo, agora as ameaças vêm de fora do setor, mas podem ser tão contundentes quanto às de 2006.
O esperado recuo no avanço da economia mundial, devido à crise financeira internacional, deve desacelerar o consumo.
Essa crise já feriu uma das líderes do setor, a Sadia, que teve prejuízo de R$ 760 milhões com operações de câmbio. No interior paulista, a Frango Forte, um frigorífico com exportações para Europa, Ásia e Mercosul, e que já vinha com dificuldades de obtenção de crédito mesmo antes do agravamento da crise, teve seus problemas acentuados. A falta de recursos fez a empresa suspender o fornecimento de ração a produtores integrados.
Se o setor não planejar bem a produção, a desova de carne produzida para fora poderá, mais uma vez, ocorrer no país.
Para prevenir essa eventual sobra de carne de frango, o setor se mobiliza visando um melhor planejamento. Eduardo Santos, secretário-executivo da Asgav (Associação Gaúcha de Avicultura), diz que não vai haver o desmoronamento do setor, mas os produtores devem ficar em estado de alerta. “É preciso observar a Europa e a Ásia e como se comportam os importadores.”

Fonte: Folha de S.Paulo

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