Redação –
Uma assistente de educação infantil denunciou ter sido vítima de assédio moral na Emei (Escola Municipal de Ensino Infantil) Maria Carlota Tibau de Vasconcelos, localizada no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. Segundo o relato, a saúde mental da servidora, que prefere não se identificar, ficou profundamente abalada após uma reunião com a direção e coordenadoras da unidade, ocorrida em maio de 2024.
A profissional atuava como contratada e contou que, nos primeiros dias de trabalho, era frequentemente deslocada para cobrir outras salas, situação que teria se repetido por cerca de quatro dias consecutivos. Em uma dessas ocasiões, ao questionar se outra pessoa poderia assumir a substituição, recebeu como resposta apenas um “não”.
No dia 7 de maio de 2024, a assistente foi chamada para uma reunião com a diretora, duas coordenadoras e outra profissional da escola. Durante o encontro, ela afirma ter sido acusada de se recusar a cumprir ordens, o que nega. Ainda conforme o relato, ouviu críticas de cunho pessoal, como comentários de que “não sorria”, “não fazia amizades” e “não era expressiva”.
A situação teria se agravado quando integrantes da gestão escolar insinuaram que a assistente “não gostava de crianças” e que “não se encaixava no padrão da Emei”. A servidora destacou que atuava há seis anos na educação infantil e que nunca havia recebido reclamações ou advertências em outras unidades onde trabalhou.
Ao final da reunião, a profissional relata que foi pressionada a assinar uma ata com conteúdo que não correspondia à sua versão dos fatos, mesmo estando em forte estado de abalo emocional.
Adoecimento mental
Após o episódio, a assistente afirma ter entrado em intenso sofrimento psicológico. Já em tratamento por ansiedade antes do ocorrido, teve o quadro agravado, com diagnóstico posterior de depressão leve, que evoluiu ao longo dos meses.
Ela relata crises frequentes de choro, insônia e episódios de ouvir vozes que repetiam as acusações feitas durante a reunião. A servidora passou a ser acompanhada pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde segue em tratamento desde então. Ela ficou internada por dez dias e permanece afastada do trabalho desde maio de 2024.
“Eu só conseguia chorar e repetir que gostava de crianças, que não era uma pessoa ruim”, desabafou.
Denúncia formal e investigação
A denúncia formal à Secretaria Municipal de Educação (Semed) foi registrada recentemente, cerca de um ano e sete meses após o ocorrido. Segundo a assistente, o atraso se deu pela dificuldade emocional de reviver os fatos. Nesta semana, ela recebeu a visita de uma psicóloga e de uma assistente social para ouvir seu relato.
O contrato da servidora com a Prefeitura de Campo Grande segue vigente até abril de 2026. Por ser contratada, ela teme que o caso não resulte em responsabilização das gestoras, mas afirma ter decidido denunciar para evitar que outras profissionais passem por situações semelhantes. “Há muitas assistentes que vivem isso e têm medo de falar”, disse.


