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As saídas para escoar a produção

Leio o artigo do Waldir Guerra: "As saídas para escoar a produção"

Colunistas – 24/10/2007

Finalmente os atuais governantes estão acordando para os graves problemas de escoamento da produção nos estados interioranos do país e estão iniciando discussões que interessam sobremaneira ao Mato Grosso do Sul por se tratar de um estado mediterrâneo.
 
Não é de hoje o problema com os altos custos dos fretes que limitam – quando não inviabilizam totalmente – produzir em estados brasileiros afastados do mar. É o caso do Centro-Oeste onde se inclui Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Além de serem responsáveis hoje pela metade da produção agrícola destinada à exportação existe uma grande vontade de iniciar a industrialização dessa produção, mas o fator frete faz a diferença quando se trata de montar uma fábrica na região.
 
Há poucos dias o governo de Mato Grosso do Sul conseguiu levar para discussão no CODESUL (Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul), onde faz parte com o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, a proposta de financiamento de um ramal ferroviário que partindo de Cascavel (PR) até Maracajú (MS) serviria para escoar a produção principalmente de grãos como milho e soja e também dos demais produtos aqui industrializados.
 
Outra boa proposta é a pretendida pela governadora da cidade de Concepcion do Paraguai que gostaria de ver o porto daquela cidade, no Rio Paraná, transformado em mais uma opção para exportação dos produtos sul-mato-grossenses.
 
Se considerarmos que a distância de Dourados à Concepcion é menos de 500 quilômetros e que a estrada existente está toda asfaltada – carecendo, lógico, de boas melhorias – haveria agora a necessidade de uma intervenção dos órgãos governamentais, especialmente os federais, para criar uma estrutura portuária lá no Rio Paraná, estrutura que poderia ser financiada pelo BNDS em parceria numa PPP, por exemplo. E se considerarmos também que além de quase saturado o Porto de Paranaguá tem complicados problemas de acesso; que a estrada de ferro de Cascavel à Paranaguá, mais de metade dela precisa ser recuperada e melhorada, então, o porto paraguaio é uma solução a ser levada a sério.
 
Uma negociação será necessária entre os governos brasileiro e paraguaio, mas nada difícil e nem complicado, tendo em vista o intercâmbio já existente entre os dois países através do uso do Porto de Paranaguá – porto que o Paraguai vem usando há mais de 30 anos, pois faz parte de um tratado que hoje poderia ser estendido para o uso brasileiro do porto de Concepcion.
 
São duas opções para baixar os custos de frete aos produtos não apenas de Mato Grosso do Sul, mas também para o Mato Grosso que vem usando as estradas sul-mato-grossenses para escoar sua produção.
 
A de maior rapidez para construir não seria a ferrovia, claro, mas o porto no Paraguai, até pelos menores custos. A demora estaria mais por conta dos acordos e negociações governamentais e da burocracia – essa velha esclerosada nossa conhecida.
 
Com um poliduto que do Mato Grosso do Sul alcance Paranaguá para transporte dos combustíveis, especialmente o álcool para exportação; com um porto no Rio Paraná na cidade de Concepcion para exportar soja, milho e importar trigo; com uma ferrovia para nos ligar ao Porto de Paranaguá, estaria amenizado, no médio prazo, os problemas de escoamento da produção.
 
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. 
    [email protected]/

Fonte: Folha de Dourados

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