Emma não conseguia entender por que havia desenvolvido subitamente um problema com jogos de azar — até ler uma reportagem recente da BBC News.
Ao longo do último ano, ela perdeu dezenas de milhares de libras, mas nunca imaginou que seu medicamento pudesse ser o responsável.
Emma é uma das mais de 250 pessoas do Reino Unido que entraram em contato com a BBC relatando vícios, de jogos de azar a sexo e compras, causados por uma família de medicamentos prescritos para distúrbios do movimento.
Entre os que procuraram a reportagem estão pessoas com cargos de responsabilidade — um policial, enfermeiros, médicos e até um diretor de risco de um banco.
Quase um ano após a BBC ter noticiado pela primeira vez as consequências devastadoras desses comportamentos impulsivos, muitos pacientes dizem que médicos ainda deixam de alertá-los adequadamente sobre os efeitos colaterais dos agonistas da dopamina.
Apesar de esses medicamentos terem sido recentemente rebaixados como tratamento de primeira linha para a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), não houve impacto nos níveis de prescrição por clínicos gerais na Inglaterra.
Na semana passada, o presidente do Comitê de Saúde da Câmara dos Comuns pediu à agência reguladora de medicamentos do Reino Unido que revisasse os alertas sobre esses efeitos colaterais, e o governo classificou nossas descobertas mais recentes como “extremamente preocupantes”.
‘Arruinou minha vida’
Como muitas mulheres, Emma desenvolveu pela primeira vez a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), que se acredita estar relacionada aos níveis de ferro, durante a gravidez.
Depois que seus sintomas pioraram nos anos seguintes, ela recebeu prescrição de Ropinirole, um medicamento fabricado pela empresa farmacêutica britânica GSK.
Emma afirma que passou a jogar compulsivamente e a comprar coisas supérfluas, sentindo como se houvesse algo a controlando.
Ela diz que só descobriu a relação com seu medicamento quando o marido pesquisou sobre os remédios que ela tomava e encontrou uma de nossas reportagens. “Eu li e pensei: ‘Meu Deus, sou eu'”, conta.
Ao marcar uma consulta em sua clínica de atenção primária, Emma conta que precisou preencher um formulário on-line listando todos os medicamentos que tomava.
Mas, apesar de informar que havia desenvolvido um vício em jogos de azar — e que estava tomando Ropinirole — Emma diz que seu médico nunca associou seu comportamento aos efeitos colaterais conhecidos do medicamento.
Ela continuou jogando e, mais tarde, após ler nossas reportagens, solicitou a troca do remédio. Afirma ter perdido pelo menos £ 30 mil.
“Arruinou minha vida — vamos ficar endividados por Deus sabe quanto tempo para pagar isso”, diz. (Informações g1)

