Após dois anos, MS ainda sofre danos da aftosa
Economia – 08/10/2007
Mato Grosso do Sul completa hoje dois anos da confirmação dos focos de febre aftosa em seu território, sem que tenha reconquistado, neste período, o reconhecimento nacional e internacional de área livre da doença.
Em 8 de outubro de 2005, o Estado recebia confirmação laboratorial da existência dos focos de febre aftosa em bovinos da Fazenda Vezozzo, no município de Eldorado: era o início do mais longo e oneroso episódio sanitário enfrentado na bovinocultura brasileira nos últimos anos.
Entidades representativas ligadas à pecuária nacional estimam que, neste período, os estados que sofreram embargos econômicos em decorrência dos focos tenham perdido cerca de US$ 2 bilhões. Além dos dois estados diretamente envolvidos nos focos de aftosa – MS e Paraná – outros cinco foram afetados com a suspensão do status sanitário internacional.
Na prática, além das perdas mensuráveis e ocorridas com a depreciação na cotação da arroba e com os vetos aos itens de origem animal produzidos no Estado, os focos de febre aftosa causaram amplo retrocesso na abertura de mercados mundiais ao principal produto sul-mato-grossense da ocasião – a carne bovina.
As indústrias de carne bovina, no entanto, foram menos prejudicadas, uma vez que realocaram suas vendas para estados não embargados e estes se aproveitaram da fatia de mercado até então ocupada por MS. Ou seja, há dois anos, a pecuária sul-mato-grossense perdia o compasso na dança da abertura internacional à carne brasileira.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Austrália ocupou o posto de maior exportador mundial de carne bovina até o ano de 2003, dominando o mercado – mesmo com rebanho muitas vezes inferior ao brasileiro – e competindo com os Estados Unidos pelo mercado asiático.
A Austrália despontou como grande exportadora na década de 1990, mas, em 2003, foi superada pelo Brasil que passou a liderar o mercado internacional de carne bovina. Também em 2003, detentor do maior rebanho bovino do País (quase 25 milhões de bovinos), MS contribuía decisivamente para a consolidação brasileira na liderança mundial em vendas de carne bovina. Depois dos focos de aftosa, no entanto, a realocação interna (em outros estados) da produção direcionada à exportação permitiu que o País se mantivesse como líder mundial, mas MS perdeu sua representatividade e, até hoje, tenta se recuperar dos estragos causados pelas deficiências no controle sanitário. (Correio do Estado).
Fonte: Folha de Dourados



