Antes de ser preso, Eike disse que mina de ouro suspeita existe
31/01/2017 10h10
O jornal Nacional desta segunda-feira (30) mostrou novos trechos da entrevista com o empresário Eike Batista deu pouco antes de embarcar de Nova York para o Rio. Sempre pontuando que não pode falar muito por ainda não ter prestado depoimento à Justiça sobre as acusações de que pagou propina a governantes, ele comenta brevemente a suspeita de que uma mina de ouro foi usada como justificativa para um contrato de fachada que favoreceu o repasse ilegal de verbas.
Questionado pelo repórter Felipe Santana e o cinegrafista Sherman Costa, da TV Globo, se a mina de ouro existia, Eike balança a cabeça positivamente. Depois, perguntado sobre os motivos da desconfiança das autoridades sobre a mina, ele diz: “É a maior mina de ouro da Colômbia. Cem por cento minha”.
Segundo delatores da Lava-Jato, em 2010 o doleiro Renato Hasson Chebar foi orientado a viabilizar o pagamento dos US$ 16,5 milhões ao então governador do Rio, Sérgio Cabral. Flávio Godinho, advogado considerado o braço direito de Eike, teria orientado Renato a fazer um fazer contrato de fachada entre as empresas Arcádia Asociados S.A., de propriedade de Renato, e a Centennial Asset Mining Fund LLC, de Eike Batista. Para justificar o repasse, os operadores disseram que mediaram a compra de uma mina de ouro pelo Grupo X.
“Para esse contrato fictício, foi usada uma transação real e verdadeira. A Centennial Mining Fund realmente comprou uma minha de ouro da Ventana Gold Corp, no valor de US$ 1,2 bi. O contrato fictício foi forjado para que os doleiros do Cabral figurassem nesse contrato como se tivessem sido seus intermediários. E que esse valor de US$ 16,5 milhões teria sido como um valor de intermediação desse contrato”, explicou Eduardo Ribeiro Gomes El Hage, procurador da República. Segundo ele, foi a mediação para essa compra nunca existiu.
O falso contrato foi firmado em 2011. Segundo os delatores, os pagamentos foram feitos através de transferência de títulos acionários e dinheiro da conta Golden Rock Foundation (empresa de Eike) no Tag Bang.Segundo El Hage, a força-tarefa da Lava Jato tem toda a documentação da transação e a maior parte do dinheiro já foi repatriado.
Lava-jato é ‘espetacular’, diz Eike
Durante a entrevista, Eike também se disse entusiasta da Lava-Jato. “Eu acho que talvez o Brasil, do jeito que o Brasil tá fazendo, nós vamos nos tornar um país bastante único, viu? E bacana nesse sentido. Transparência vai ser algo espetacular”, afirmou o empresário.
Questinado se é um entusiasta da operação, Eike diz que acha a Lava-Jato “espetacular”. “Olha, eu digo que o Brasil que tá nascendo agora vai ser diferente, tá certo? Porque você vai pedir as suas licenças, você vai passar pelos procedimentos normais, transparentes, e se você for melhor, você ganhou e acabou a história, né?”, afirmou.
O empresário Eike Batista se apresentou nesta manhã de segunda-feira (30). Eike estava em Nova York e embarcou ainda na noite de domingo para o Brasil. Ele foi levado para exames no IML e depois passou por triagem no presídio Ary Franco, na Zona Norte.
Segundo as primeiras informações, após a triagem no Ary Franco, foi decidido que o empresário ficará na Cadeia Pública Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9. O motivo seria a falta de segurança na penitenciária, segundo o Jornal Hoje. Ele chegou ao complexo penitenciário de Bangu, na Zona Oeste, à tarde.
O empresário teve a prisão preventiva decretada depois que dois doleiros disseram que ele pagou propina de US$ 16,5 milhões a Sérgio Cabral, o equivalente a R$ 52 milhões. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, na operação Eficiência.
O advogado dele, Fernando Martins, estava no Ary Franco quando Eike chegou. “A defesa não teve acesso a ele, não conseguimos traçar a linha de defesa, então nós vamos aguardar e conversar com o cliente.
Até agora, as medidas jurídicas que estamos adotando são no sentido de preservar a integridade física dele. Não posso acrescentar o que será feito agora.
Ontem, ele deu uma entrevista no sentido que ele disse que passaria a limpo, vai prestar os esclarecimentos necessários. A gente vai definir a linha de defesa em conjunto.”, afirmou.
O empresário Eike Batista deixa o presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro, e segue para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.




