Fotos: Acervo particular

Ilson Boca Venâncio –

A personagem dessa semana é a própria feira livre. Nascida e criada na rua, muito carinhosamente cuidada pelos seus pares que fizeram dali o seu lugar de vida e sobrevivência, tirando o sustento e oferecendo à freguesia o fruto desse trabalho. Usando um pedaço da rua como palco e como mágica em pouco tempo fica pronto o cenário constando de bancas de alimentos, encontros, conversas, diversão e arte.

Ela foi a primeira opção de compras de alimento naturais e de convívio sociocultural da cidade. Foi crescendo até se tornar o maior centro comercial de alimentos e, assim, de geração a geração os nossos feirantes foram se adaptando as mudanças do comércio da cidade, as novas concorrências, que aos poucos iam lhe tirando pedaços, mais resistindo, pois já tinha criado raízes na comunidade e até conquistado o título de reconhecimento, como patrimônio cultural.

A nossa feira livre é patrimônio cultural da nossa cidade!

Pela grande frequência de transeuntes atraia artistas mambembe, trazendo suas poesias, danças, repentes, artes circenses, capoeiristas, artesãos que sabem que a arte deve estar onde o povo está, tornando-se o ponto turístico da cidade.

Lembro da fala do Sr. Enéias, o mais velho dos feirantes sobre a lida profissional deles: “ sei que têm dificuldades, tem a chuva, vem o sol e até tempestades, mais tudo passa, tudo é da natureza, e a gente acostuma e vai tocando em frente”, vencendo os desafios.

Mais há algum tempo a nossa feira livre recebeu a proposta de mudança de local para um espaço melhor, definitivo e assim sairia da rua, indo para um espaço próximo e adequado, previamente formatado para todos os setores: verduras, frutas, alimentação, artesanato e confecções – tudo bem organizado em box fechado com a segurança de poder deixar os seus produtos e até trabalhar todos os dias para quem quisesse. A proposta era algo tão perfeito que até gerou certa desconfiança.

Mais como a feira é gerida pelo poder público, os feirantes sem opção de resistência e pressionados a não poder mais montar suas barracas na rua, acolheram a proposta e assim foram (nem todos, alguns abriram mão da atividade)!  Só que não era aquilo que foi prometido, pois o tal espaço não estava pronto, e já se passaram anos e ainda não está.

O espaço da alimentação foi improvisado no espaço destinado a apresentações da arte e cultura, e essa por sua vez ficou sem espaço.

O espaço da área de alimentação foi concluído há algum tempo, mas continua ocioso formando um buraco que esquadreja o esqueleto da feira ao meio, formatando uma aparência horrível para a estética do local, e a cultura, que dava vida ao convívio da nossa feira, continua ausente e sem espaço.

Mas os nossos bravos feirantes não desistem! Apesar da falta de parceria que muitas vezes os fazem se sentir sós, abandonados e até na ESCURIDÃO, como aconteceu na última feira anterior ao Natal que ficou às escuras e sem uma explicação muito lógica para o acontecimento.

Agora com a chegada do novo ano, nasce a esperança, de que haverá harmonia e colaboração do poder público com a nossa Feira Livre, em respeito à nossa história e a feira livre, que um dia no ano de 1948 teve o reconhecimento da nossa comunidade como um bom feito, um bom projeto, ganhando a assinatura do nosso saudoso prefeito Senhor Carvalhinho, o plantador das figueiras.

Rememorando as palavras da nossa saudosa amiga feirante, Dona Geralda, que um dia me disse:  “Só com o respeito e a harmonia entre os feirantes e uma gestão colaborativa do poder público, a nossa Feira Livre poderá permanecer cada dia melhor! ”

Para mim que convivi a minha vida inteira com a Feira Livre, sentindo todas as dores, prazeres e  alegrias do seu cotidiano, só tenho a desejar aos meus queridos amigos feirantes e a freguesia um FELIZ ANO NOVO DE PAZ E PROSPERIDADE A NOSSA FEIRA LIVRE e que seja concluído o projeto para que nós artistas possamos levar a nossa arte e alegria contribuindo com  o  papel  de uma feira cada dia mais livre, leve, alegre e feliz.

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