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André pode vender à China ‘plástico verde’ da cana de MS

Economia – 31/10/2009

A visita de dez dias do governador André Puccinelli (PMDB) à China pode trazer bons resultados comerciais ao Estado, principalmente em relação aos subprodutos da cana-de-açúcar.Em Shanghai, o jantar com os executivos da BBCA Group animou o governador. Trata-se de uma empresa científica de tecnologia da indústria chinesa, que atua em bioquímica, bioenergia e biofarmacêutica, investindo em pesquisa e inovação de alta tecnologia. É hoje a maior empresa de transformação técnica da agricultura. Segundo Puccinelli, o grupo ficou muito interessado em extrair polietileno da cana-de-açúcar, o chamado “plástico verde” ou biopolietileno. Esse material é resultado de um processo de polimerização equivalente aos processos tradicionais, tendo como diferencial a obtenção do eteno, produzido por desidratação do etanol da cana-de-açúcar. O polietileno é o plástico mais utilizado no mundo e seu maior consumidor são as indústrias de embalagem para alimentos, de produtos de limpeza, de produtos para higiene pessoal, automobilística e de brinquedos. A principal vantagem que o plástico verde traz para a sua cadeia de valor é oferecer uma solução sustentável com todas as vantagens de processo do plástico mais usado mundialmente (o polietileno). Ou seja, além de ser de fonte renovável, de capturar e fixar CO2 da atmosfera e de ser reciclável, o biopolietileno não causa nenhuma perda de produtividade nos processos seguintes da cadeia produtiva.Como Mato Grosso do Sul se encaminha para a posição de segundo maior produtor nacional de etanol (21 usinas funcionando atualmente e mais 6 em montagem), esse é o tipo de negócio que fortalece a cadeia produtiva da cana e agrega valor ao produto, gerando empregos e atraindo novas tecnologias ao Estado. Os membros da China Promoções e Associação para a Ciência, Tecnologia e Finanças anunciaram durante a reunião com o governador que vão incluir Mato Grosso do Sul no roteiro da visita ao Brasil programada para dezembro deste ano. A fartura de terras, a proximidade dos grandes centros, como São Paulo e Rio, e os incentivos fiscais oferecidos por Puccinelli para novos empreendimentos, atraíram a atenção dos chineses.A China é a terceira maior economia mundial e deve se tornar a segunda dentro dos próximos 12 meses, ultrapassando o Japão. O país é o maior parceiro comercial do Brasil e o maior importador de Mato Grosso do Sul (soja e ferro). Poupa 50% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, possui enorme capacidade de investimentos e estão em busca de novos mercados desde que a crise abalou a economia americana.Irmandade – Com esta visão é que o governador André Puccinelli visitou as cidades de Beijing, Nanshang, Xinyu e Sanghai. Foi um primeiro contato de apresentação e de abertura de portas, mas que já rendeu ações concretas, como a assinatura do termo de irmandade com a província de Jiangxi.O estado chinês possui 166 mil quilômetros quadrados (metade da área de Mato Grosso do Sul), população de 43 milhões de habitantes e alto desenvolvimento industrial e tecnológico. Nesta província, o governador visitou siderúrgicas, montadoras de veículos e tratores, empresas de alta tecnologia na área de energia solar e participou de simpósio com empreendedores e membros de universidades. Segundo Puccinelli, ficou evidente nestes encontros que a língua é uma grande barreira, pois há poucas pessoas fluentes em português e mandarim.O estabelecimento de intercâmbio entre as universidades de Mato Grosso do Sul e as de Jiangxi foi um primeiro entendimento que evoluiu, conforme o governador.Parceiro – A China tornou-se principal parceiro comercial do Brasil no primeiro semestre de 2009, tendo a corrente de comércio bilateral alcançado valor de US$ 17,2 bilhões. Trata-se de um crescimento de 5,3% frente ao mesmo período de 2008.Revertendo tendência de anos anteriores, o Brasil obteve superávit de US$ 3,7 bilhões no comércio com o parceiro asiático, contra déficit de US$ 1,5 bilhão no primeiro semestre de 2008. Este resultado positivo pode ser creditado tanto à forte retração das importações advindas da China – 24,4% inferiores ao mesmo período do ano anterior – quanto ao crescimento acelerado das exportações, que registraram expansão anual de 41,1%. Dentre os principais destinos das exportações brasileiras, a China foi o único para o qual vendas aumentaram, em razão de volumosas vendas de soja e minério de ferro, que dominaram pauta exportadora para o parceiro asiático.
 

Fonte: CG News

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