A poluição por microplásticos nos oceanos é um dos grandes enigmas ambientais da atualidade. Estima-se que a maior parte do plástico que chega ao mar simplesmente “desapareça” da superfície, dificultando o monitoramento e a mitigação do problema. Agora, uma nova pesquisa indica que fertilizantes agrícolas revestidos de plástico podem estar desempenhando um papel crucial nesse quebra-cabeça global.
O estudo, publicado em janeiro de 2026 na revista científica Marine Pollution Bulletin, intitulado “A first approach to estimating leakage of microplastics derived from polymer-coated fertilizers from paddy fields to beaches”, foi conduzido por Dolgormaa Munkhbat, Masayuki Kawahigashi e Yugo Miyao, com DOI (10.1016/j.marpolbul.2025.119086). A pesquisa analisou como partículas plásticas usadas na agricultura se deslocam do solo até o ambiente costeiro.
Logo nas primeiras análises, os cientistas identificaram um dado surpreendente: os rios não são o principal caminho de retorno desses plásticos às praias. Pelo contrário, áreas agrícolas conectadas diretamente ao oceano por canais artificiais apresentaram índices muito mais elevados de contaminação costeira. Para facilitar a compreensão, os principais achados incluem:
- Menos de 0,2% dos microplásticos de fertilizantes chegam às praias via rios;
- Até 28% retornam à costa quando há drenagem direta dos campos para o mar;
- As praias funcionam como sumidouros temporários de microplásticos;
- Ondas e marés controlam o transporte e a retenção dessas partículas.
O papel silencioso dos fertilizantes no ciclo do plástico

Os fertilizantes revestidos com polímeros são amplamente utilizados para liberar nutrientes de forma gradual no solo. No entanto, essa eficiência agronômica tem um custo ambiental. Fragmentos desses revestimentos se acumulam no ambiente, especialmente em regiões costeiras com forte influência marinha.
Além disso, os pesquisadores observaram que muitos desses microplásticos sofrem alterações químicas e físicas ao longo do tempo. Camadas de óxidos de ferro e alumínio se aderem às partículas, aumentando seu peso e reduzindo a chance de serem levadas novamente pelas ondas, o que contribui para seu “desaparecimento” aparente no oceano.
Esses resultados ajudam a explicar por que até 90% do plástico oceânico não é visível, reforçando a ideia de que o problema vai muito além do lixo urbano. A pesquisa evidencia a necessidade de repensar práticas agrícolas, políticas ambientais e estratégias de monitoramento costeiro. Portanto, compreender o trajeto dos microplásticos desde a origem até o mar é essencial para proteger ecossistemas marinhos, cadeias alimentares e, consequentemente, a saúde humana.
(Informações R7)


