Agricultor, agora vá com calma
Leia o artigo de Waldir Guerra
Artigo – 28/01/2008
Todo mundo sabe que os preços da soja e do milho dobraram nos últimos meses, mas nem todos sabem que os agricultores ainda não foram beneficiados em nada; primeiro porque ninguém tinha mais soja, ou milho, para vender e segundo porque para fazer esta safra que está plantada, os agricultores tiveram que vendê-la antecipadamente – se não toda a produção, pelo menos grande parte dela.
Com os altos custos de produção para se implantar uma lavoura hoje, poucos agricultores têm capacidade para bancar integralmente esses dispêndios, assim, obrigam-se a ir vendendo antecipadamente sua produção futura. Um tanto de sacas para pagamento do adubo, outro tanto para pagamento dos defensivos e outros tantos de sacas fixadas antecipadamente – uma exigência dos compradores – para receber algum adiantamento a fim de fazer frente às despesas extras.
Importante esclarecer a opinião pública para que veja quem na verdade abocanha os lucros dessas altas nos preços das commoditys porque – como sempre tem acontecido no passado – daqui a pouco uma parte da mídia vai dizer que os produtores vivem chorando de barriga cheia.
Que haverá um período excelente para os produtores daqui para frente isto é certo. Tanto que vejo aqui o último relatório do banco de investimentos Goldman Sachs mostrando suas projeções para o mercado futuro da Chicago Board Of Trade (CBOT) e a expectativa do banco é que, em seis meses, os preços do milho subam mais 33% e os da soja se elevem 22%.
No caso da soja, no cenário de seis meses, é muito importante para os agricultores brasileiros, já que coincide com o período de venda do saldo da safra 2007/2008 – e o mais importante – coincide também com a compra de insumos para a safra de 2008/2009. A Goldman Sachs projeta o bushel de soja para US$15,60 para daqui a seis meses. (Faça as contas em sacas de soja para tua região agricultor). Outra coisa, a instituição reduziu sua estimativa para os estoques de soja nos Estados Unidos ao final de 2008/2009 de 4,5 milhões para 2,4 milhões de toneladas. Se isso é bom? É bom demais, e é ótimo para os produtores brasileiros.
Ainda que a possibilidade de recessão nos Estados Unidos possa contaminar as economias mundiais, a demanda por alimentos deve continuar forte, puxada por China e Índia. A revista britânica The Economist lembra que são necessários oito quilos de grãos para produzir um quilo de carne. Na China o consumo de proteína deve ultrapassar 50 quilos per capita neste ano. Em 1985 era de apenas 20 quilos.
A situação futura do mercado de grãos é boa para os produtores brasileiros, mas desta vez precisam se conscientizar de que os lucros futuros – e eles virão, com certeza – precisam ser canalizados para, primordialmente, se livrarem dos financiadores. Nada de sair por aí comprando máquinas novas. Trocar a caminhonete, sim, porque o produtor brasileiro é um bom trabalhador e merece.
Waldir Guerra -Agricultor; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. ([email protected]).
Fonte: Folha de Dourados



