Redação –
Agentes de saúde da Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila Corumbá afirmaram que o acompanhamento de Marto dos Santos Guimarães, de 59 anos, foi realizado de forma contínua, apesar da resistência do paciente em aceitar ajuda. O homem foi encontrado desnutrido e em situação de abandono em uma residência na Vila Planalto, em Campo Grande.
Após a repercussão do caso, inicialmente apontado como possível omissão de socorro, profissionais da unidade relataram que diversas tentativas de acolhimento foram feitas ao longo do último ano, inclusive com apoio de familiares e acionamento de equipes de emergência.
Segundo um agente de saúde, o principal obstáculo era a recusa do próprio paciente. “Desde o ano passado tentávamos prestar assistência. Em alguns momentos conseguimos, em outros não, porque ele se fechava muito e dificultava o acesso”, relatou.
Ainda conforme o profissional, a equipe chegou a acionar familiares para reforçar o cuidado. Um dos irmãos da vítima era quem mais colaborava, tentando levá-lo a atendimentos médicos e oferecendo apoio. Mesmo assim, o homem resistia, alegando estar sendo forçado.
Diante do agravamento do quadro, equipes de emergência foram acionadas em uma das visitas domiciliares. O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizaram o encaminhamento do paciente para atendimento hospitalar. Ele permaneceu internado por três dias, mas, após a alta, voltou a se afastar do acompanhamento médico.
De acordo com os relatos, o homem havia sido diagnosticado recentemente com tuberculose e havia suspeita de câncer na região da garganta, ainda em investigação. O tratamento para a tuberculose chegou a ser iniciado, mas o estado de saúde se agravou rapidamente.
Os profissionais destacaram que todas as visitas e tentativas de acompanhamento foram registradas e encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), embora não possam ser divulgadas por conta do sigilo médico.
Além da equipe de saúde e da família, vizinhos também teriam prestado apoio, oferecendo água e auxílio básico, já que o imóvel apresentava condições precárias.
O caso ganhou repercussão após denúncia apontar possível abandono e falta de assistência por parte da unidade de saúde. A situação levantou questionamentos sobre eventual omissão de socorro, prevista no artigo 135 do Código Penal.




