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Advogado de Gracie diz que família só agirá após laudo do IML

Ryan Gracie – 17/12/2007

O advogado da família Gracie, Rodrigo Souto, afirmou nesta segunda-feira (17) que os parentes do lutador Ryan Gracie, encontrado morto na manhã de sábado (15) em uma delegacia de São Paulo, só tomarão qualquer atitude  após saber o resultado do laudo que vai apontar a  causa da morte do lutador. O documento será feito pelo Instituto Médico Legal e deve ficar pronto em um mês.
O lutador foi preso na tade da sexta-feira (14) por suspeita de ter roubado um carro e de tentar roubar outro veículo e uma moto no bairro do Itaim Bibi. As vítimas relataram à polícia que ele estava armado com uma faca de cozinha. Para evitar o roubo, o motoboy contou ter batido com o capacete na cabeça do lutador, que caiu no chão. Em seguida, ele foi rendido por outros motoqueiros.
Neste domingo (16), durante o enterro de Gracie, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, a família dele acusou o o psiquiatra Sabino Ferreira Neto de ser responsável pela morte do lutador. Ferreira Neto atendeu Gracie na delegacia na madrugada do sábado (15).
“Vem um médico, dá uma dose brutal de [remédios], violenta nele, sob os protestos da minha filha. E o que acontece? O garoto morre. Vou processar não porque o Ryan morreu. Ele está morto.” Ryan deixou um filho de 6 anos, Rayron, que mora no Rio com a mãe, Elaine, além de oito irmãs e três irmãos. 
Segundo o advogado, as declarações da familia são compreensíveis em um momento de dor, mas só após o laudo será decidido que procedimento juridico será adotado. “Vamos avaliar se houve responsabilidade do médico ou do estado na morte de Ryan. Só sei que ele entrou na delegacia vivo e saiu morto”, afirmou o advogado, que disse que vai checar se pelos procedimentos do estado não seria necessário um médico do sistema público para avaliar o lutador, além de seu psiquiatra particular.
Souto não quis dizer se acha que o médico teve alguma responsabilidade na morte do lutador. “Não posso precisar erros porque minha capacidade como profissional é outra”, disse. Segundo o advogado, Ryan estava estava aparentamente bem até 2h quando foi levado ao IML para fazer exame de corpo delito. O lutador havia comido um lanche e tomado suco entre 22h e 22h30, segundo o advogado e não apresentava marcas que indicassem alguma agressão dentro da delegacia.
Capacetada – O advogado disse ainda descartar que a causa da morte do lutador tivesse alguma relação com o golpe na cabeça que recebeu com um capacete. A pancada foi uma reação do motoboy cuja moto Ryan tentou roubar. “Ele só tinha um pequeno corte na sobrancelha e estava acostumado a pancadas porque era um lutador. Pelo o que eu soube, os motoqueiros só o imobilizaram”, afirmou Souto.
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) deve notificar, ainda nesta segunda-feira (17), o psiquiatra Sabino Ferreira Neto, médico do lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie. Já foi aberta uma sindicância para analisar se houve falha na conduta do médico no tratamento do lutador.
O profissional pode mandar ao conselho uma defesa por escrito ou comparecer pessoalmente para ser ouvido. A conclusão da sindicância pode demorar até seis meses, segundo o Cremesp, dependendo da quantidade de documentos necessários. O diretor de comunicação do Cremesp, Bráulio Luna Filho, disse que esse é considerado um caso “grave”, já que uma pessoa morreu numa situação aparentemente “controversa”, logo após o atendimento prestado por um médico. Ele não quis fazer nenhum comentário específico sobre o caso, mas disse que “combinações de remédios sempre são ruins”. “Sempre há chance de causar problemas cardíacos (com as combinações de medicamentos), por exemplo. Então, é sempre bom saber o que aconteceu”, afirmou. O diretor disse que também será investigada a denúncia feita pela irmã do lutador de que o médico teria pedido R$ 5 mil para fazer laudo de que Ryan estava doente e que, por isso, deveria ser encaminhado para um hospital, em vez de ficar na delegacia. Flávia Gracie também afirmou que o psiquiatra teria pedido R$ 2 mil para dar para o delegado e mais algum dinheiro para o carcereiro para que o lutador tivesse algum tipo de “assistência” da delegacia. O advoado disse que não soube desses problemas, mas acredita que o caso será investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Caso haja suspeitas de falha na conduta, será aberto processo contra o psiquiatra. Em caso de condenação, a pena pode variar de suspensão a cassação da licença para exercer a medicina.
Procedimento médico – De sua clínica em Atibaia, na Grande São Paulo, no domingo (16), Sabino Ferreira de Faria falou por telefone à reportagem do G1 e afirmou ter “plena convicção” de ter feito o melhor que pôde no caso de Gracie. O médico disse entender, como psiquiatra, a postura da irmã do atleta diante do sofrimento da família. “Acho que quem vai poder responder esse assunto de maneira fidedigna são os profissionais competentes do IML da USP, após os devidos procedimentos”, afirmou. O psiquiatra nega ter dado medicação excessiva para Gracie. “Alguns médicos disseram até que eu dei remédio ‘de passarinho’ para um homem de 110 kg”, disse. Sabino disse que nos 31 anos de profissão lidando com dependentes de droga, presenciou apenas dois casos de óbito, incluindo o do lutador. “Gostaria de não ter tido nenhum”, disse. Ele contou que a irmã do atleta presenciou todo o procedimento feito depois da prisão de Ryan. O médico disse ter ficado na delegacia até o início da manhã de sábado (15). Ele afirma ter saído do 91º Distrito Policial e chegado em Atibaia por volta da 7h40, quando recebeu a ligação do delegado informando da morte de Ryan. Para a reportagem do Fantástico, o psiquiatra confirmou ter recebido R$ 5 mil da família, mas disse que esse era o valor de sua consulta. Ele afirmou ainda que pagou R$ 100 ao carcereiro para que ele comprasse uma “pizza” para Ryan e o tratasse bem. 

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Fonte: G1

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