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Adolescente quer pagar pelo que fez e voltar a trabalhar

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Maníaco da Cruz – 15/10/2008

A excentricidade e irresponsabilidade inerentes da fase chamada adolescência são elementos presentes em D, de 16 anos, principal suspeito de assassinar três pessoas entre os meses de julho e outubro na pequena cidade de Rio Brilhante (25,6 mil habitantes) distante a apenas 163 quilômetros de Campo Grande.
Em entrevista ao Midiamax na manhã de ontem na Deaij (Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude), responsável pelos inquéritos que envolvem crianças e adolescentes que cometem atos infracionais, o adolescente falou sobre como se sente agora com a liberdade restrita.
A história que foi batizada como a do “Maníaco da Cruz”, uma alusão à forma à qual fazia a disposição dos corpos após sufocar as vítimas e esfaquear, impressiona pela barbárie e sobretudo, por ter um menino de 16 anos como protagonista. A entrevista foi em duas partes numa pequena sala da delegacia, o garoto foi mantido com algemas e respondeu apenas o que desejou.
A primeira parte da entrevista ocorreu no dia 13 e foi interrompida e D. teve que ser ouvido pelo seu defensor público, Eugênio Luiz Damião. No dia seguinte pela manhã, D. estava mais abatido, porém um pouco mais falante e a reportagem foi concluída. Agentes policiais acompanharam a coleta de informações.
Durante a entrevista, o olhar e trejeitos de adolescente, as vezes sorriso, um semblante de constrangimento e um único momento de tristeza, ao falar da família sem querer entrar em detalhes.
Midiamax – D. você nasceu mesmo em Rio Brilhante?
D. – Nasci.
Midiamax – Quando?
D. – 5 de janeiro
Midiamax – Você tem irmãos? Quantos?
D. – Dois irmãos. Um de 22 e outro de 24 anos.
Midiamax – Em que ano você estava na escola?
D. – Nono
Interrupção da primeira parte da entrevista.
Midiamax – Daqui pra frente o que você quer da vida?
D. – Pagar.
Midiamax – Pagar como?
D. – Preso.
Midiamax – Se pudesse falar algo para as famílias das vítimas o que você diria?
D. – Não sei. (cabisbaixo)
Midiamax – Tudo o que aconteceu foi movido por você acreditar em crenças diabólicas? Digo porque foi encontrado pôster de bandas e outros objetos em sua casa que indicam isso…
D. – Eu não, mas as bandas que eu gosto, elas adoram isso sim. Eu tenho pôster do Ozzy (músico inglês Ozzy Osbourne), mas ele não adora isso.
Midiamax – Que banda que você gosta que adora isso?
D. – A Mystiiris (metal)
Midiamax – Quais os filmes que você gosta de ver?
D. – Todos os tipos de filmes.
Midiamax – Foi você sozinho que matou as três pessoas em sua cidade?
D. – Uhum (olhando para a repórter)
Midiamax – O que te levou a isso? Por que você acha que chegou a esse ponto?
D. – Sentia raiva, muita raiva.
Midiamax – Raiva dessas pessoas? Por quê?
D. – Não. Raiva de tudo.
Midiamax – Me explica como é essa raiva?
D. – Não sei.
Midiamax – Ela vem e volta ou fica com você o tempo todo?
D. – Ela vem e passa.
Midiamax – Você sentia isso quando era criança? Chegou a pedir ajuda para sua mãe?
D. – Não, nunca.
Midiamax – Eu vi outras entrevistas suas que você disse que pararia após a última vítima…
D. – Eu estava decidido sim.
Midiamax – Você também chegou a dizer que mataria somente no inverno. Por que?
D. – Porque no neopaganismo inverno significa morte
Midiamax – O que é o neopaganismo?
D. – É um tipo de religião.
Midiamax – Você tem alguma religião?
D. – Tenho várias …
Midiamax – Você acredita em Deus?
D. – Não
Midiamax – D., você não sente medo? Medo da morte? Medo da raiva das pessoas?
D. – Não tenho de nada.
Midiamax – D., esses dias todos em que você tem pensado?
D. – Na minha família. (olhos marejados)
Midiamax – Depois que você “pagar” por tudo o que espera do futuro, do amanhã?
D. – Quero trabalhar ué!
Midiamax – Trabalhar do que?
D. – De qualquer coisa.
Midiamax – D., teve uma menina que foi poupada, que você decidiu não a matar. O que te fez parar diante dela?
D. – Minha namorada.
Midiamax – Como assim?
D. – Ela se parecia muito com uma namorada.
Midiamax – Se parecia fisicamente?
D. – Não, não, a voz dela, o jeito dela era bem parecido com da minha namorada.
Midiamax – Essa sua namorada mora lá em Rio Brilhante?
D. – Não. Mora no Paraná. A gente se fala por MSN.
Midiamax – Você acha que depois voltaria a matar?
D. – Não, não queria mais não.
Midiamax – D., hoje de que mais você sente falta?
D. – Do meu trabalho.
Midiamax – Você trabalhava onde?
D. – Num depósito de bebidas.
Midiamax – Você sente falta das pessoas do trabalho?
D. – Não. Do trabalho.

Fonte: Midiamax

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