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Adolescente indígena era mantida presa no Giocondo Orsi

Polícia – 10/10/2008

Uma adolescente indígena de 16 anos era mantida em cárcere privado no bairro Giocondo Orsi, em Campo Grande, em condições de escravidão. A denúncia é do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza, respaldada pela Funai de Doruados, que conseguiu resgatar a garota na manhã de hoje da residência, onde trabalhava como empregada doméstica.
A menina foi trazida há 11 meses de aldeia de Laguna Caarapã. Convencida de que iria receber salário e ter tempo para estudar, a garota guarani conta que deixou a casa da família, a 280 quilômetros da Capital.
Em Campo Grande, diz que nunca teve qualquer promessa cumprida. Segundo a adolescente, a rotina de trabalho começava às 7 horas e terminada após às 19 horas. Cabia a ela todo tipo de tarefa doméstica, relata.
A casa onde a garota foi encontrada é de uma advogada, que segundo apurou o CDDH foi auxiliada por uma costureira de Dourados, que encontrou a garota na aldeia e a encaminhou a Campo Grande, em novembro.
A denúncia sobre o caso partiu da Funai de Dourados e foi confirmada por vizinhos da advogada.
Nesta sexta-feira, quando a equipe do CDDH, junto com uma assistente social da Funai, chegou para retirar a menina da residência, enfrentou resistência de um dos filhos da advogada.
“Ele tentou impedir que ela deixasse o local e chegou a afirmar que se ela quisesse, depois poderia ir embora”, contra o presidente do Centro, Paulo Ângelo Souza.
Todo o trabalho teve orientação da Procuradoria Federal da República. Quando chegaram ao Giocondo Orsi hoje, os membros do Centro tocaram a campainha e quando a adolescente saiu para atender, perguntaram se ela gostaria de deixar o local. A garota disse sim.
Aparentemente a menina não era fisicamente maltratada, mas a família pode responder a processos por exploração de mão de obra infantil, agravada por jornada excessiva de trabalho, condições análogas a escravidão e até por tráfico de seres humanos, caso seja confirmada a atuação de uma “agenciadora” no caso.
A adolescente contou que antes dela outras três meninas trabalharam no local, a quarta ela chegou a conhecer.
Agora, a garota será levada de volta a Laguna Caarapã, onde vai reencontrar a mãe e dois irmãos pequenos. Durante o tempo que ficou em Campo Grande, ela diz que foi proibida de manter contato com a família.
A proprietária da casa terá o nome preservado por não ter sido encontrada para dar sua versão sobre o caso.

Fonte: CG News

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