A viola caipira e a catira
Culturalmente falando – 23/10/2009
Por: Ilson Venancio
Quando foi criado a colônia federal vieram para a nossa região famílias de diversas regiões do país e trouxeram com eles as muitas diversidades culturais entre elas a viola caipira e com ela a catira.
Em um dos núcleos culturais da colônia, localizado no Panambi e parte dela em Itaporã, era onde acontecia a manifestação cultural da catira, dança do folclore brasileiro, em que o ritmo musical é marcado pela batida dos pés e mãos dos dançarinos e a tocada da viola caipira.
A viola instrumento musical do meio rural, muito disseminada em nosso país e encontrada no nosso sertão brasileiro.
Tocador de viola do nosso meio artístico está o Senhor Dito Freitas que recorda com saudade de quando aos quatorze anos começou a tocar viola.
Naquele tempo a maioria da população morava na fazenda e na colônia federal.
Ele morava no Panambi atual Vila Cruz, era costume se reunir os grupos nos sítios. Tinha catira folia de reis e as duplas de viola e violão. Sanfona não tinha grupo e tinha o Totó que era amansador de burros e também era tocador de sanfona.
Para garantir as apresentações, ensaios e troca de informações aconteciam reuniões na casa dos tocadores.
As reuniões aconteciam na casa do Genésio, do “seo” Henrique, padrasto do Nelsinho, do Dito Freitas, Dialo que morava no travessão do Nuda, Serginho Nogueira, já falecido, deixando lá seus descendentes, o Chiquinho e muitos outros, a dupla Bilo e Belo e também na casa do Elias.
Esses eram os componentes da viola caipira do Panambi.
A difusão era pequena para esse gênero musical. A Rádio Clube estava começando o Dito Freitas e o Elias vinham cantar ao vivo na Rádio Clube, mas a transmissão era muito fraca e pegava muito mal devido as matas serem fechadas e interferirem na frequência.
A forma de manter vivos os grupos era essa reunião na casa do pessoal, as apresentações nos bailes, rádio, festa de reis e outras. Isso durou um determinado tempo, mas o pessoal começou a deixar as colônias e o Sr. Dito Freitas mudou para Itaporã.
Lá junto com o finado Belo, o Zé Simão, Antônio Simão continuaram o trabalho com a viola e o violão e a dança da catira.
Naquela época Dourados era a cidade e em torno estava a colônia federal.
Hoje a catira ainda não se acabou porque algumas pessoas ainda sabem dançar a catira tradicional, mas estar em vias de desaparecimento porque precisa de dedicação e isso requer um incentivo, pois necessitam de ensaios para a harmonia entre a viola, palmas e o sapateado.
No meio da vida corrida e atribulada de hoje em dia a manutenção da catira precisa de apoio dos órgãos.
Algumas pessoas lutam para a sobrevivência da catira, como o Luiz, taxista, o Efigênio, motorista de ambulância em Itaporã que lutam para algumas apresentações.
O senhor Dito Freitas, um dos defensores dessa manifestação cultural em depoimento afirma ” Quando chega o dia sete de setembro, dia da nossa Pátria, vem aquela vontade de ajeitar um caminhão, bem ajeitadinho, e mostrar uma catira tradicional bem dançada, mas o tempo passa e nada…”.
O sr. Dito Freitas toca viola a cinqüenta e um anos e possui um repertório de aproximadamente 400 músicas das quais 40 são de sua autoria, mas somente a três anos atrás gravou o seu primeiro Cd, com esforço e a ajuda dos amigos. O segundo veio pelo Fundo de Incentivo Municipal e o terceiro está saindo agora pelo Fundo de Incentivo Estadual.
Ele usa em suas gravações música ao estilo da tradição da viola caipira, mas admira a juventude tocar viola cada um ao seu estilo, mas alerta que é necessário não esquecer da viola de raiz e a lutar pela manutenção do espaço.
Só para lembrar, durante seis anos tivemos a “Noite da Viola” e é necessário que esse evento volte a acontecer imortalizando essa valiosa manifestação cultural, oportunizando espaço aos integrantes de grupos, tocadores individuais e ao público que se mostrou grandioso, como pode ser visto nas edições em que aconteceu esse evento.
Fonte: Folha de Dourados



