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A versão do casamento

Laquicho – 18/02/2008

Se essa versão for a verdadeira (e talvez seja), o certo é que naqueles tempos havia muitas festas:
“…o senhor ia fazer uma filha casar, o senhor preparava uma vaca gorda, muitas leitoas, aquele banquete muito grande, convidava os vizinhos. Mais de vinte quilômetros em roda era vizinho que vinha. Agora, vinha de carro de boi… e os moço tinha seu cavalo, cada um ia a cavalo. Então chegava lá, fazia o casamento, né? Aí passava… tinha que dançar a noite inteira, até amanhã às oito, nove horas, né? Então aí o senhor dançava um pouco, depois comia um churrasco, tomava chimarrão… se a festa ia ser hoje, meio-dia nós tava tudo aqui na casa, nós ia embora amanhã à tarde. (…) E o senhor tinha que agüentar aquele despesão, carneando aí pra nós, uns contando anedota, outros jogando baralho, né?(…) Não faltava também numa festa de casamento doce de toda espécie…e tinha também cachaça… mas eram poucos os causos de embriaguez, se o senhor se embriagasse seu irmão, um da família sua retirava o senhor, não permanecia na festa.” (Crispin Fernandes)
 
Em Minas não devia ser diferente. O pai de Melica tocava muita roça. Para se ter uma idéia, na época do casamento era colheita de milho, e muita gente estava empregada para puxar milho para dentro de um paiol tão grande que o carro de bois virava dentro. Pudera, eram quinhentos alqueires de roça num tempo em que a média que se plantava era de cinco a seis alqueires. Para a festa e para aproveitar o mutirão da colheita, o pai da noiva matou quinhentas vacas. Foi aquele festão: eram três bailes – o catira, o baile familiar e o cabaré também. Numa escapadela, o Laquicho foi pro cabaré. Dizem que lá havia uma moça de quem ele gostava. Daí os dois começaram a dançar e nisso saiu uma briga, não é? E na correria eles não puderam sair do lugar… e a moça já não encostava mais os pés no chão, ficou erguida. (João Palhano)
 

Fonte: Folha de Dourados

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