Ermínio Guedes

Por Erminio Guedes – Engenheiro Agrônomo e consultor –

Estamos perdendo à pandemia da Covid – 19. Ela bate na porta, mas pode entrar sem licença. O vírus é democrático e não discrimina escolhas, entre desconhecidos ou os nossos. Todos são iguais.

Perdi um cunhado, marido da minha irmã. A Covid o levou às alturas. Era o amor da vida dela. Estiveram juntos em grandes desafios, para criarem 2 filhos e serem felizes.

Petry um homem religioso e consciente da gravidade do seu caso, no leito da morte e em oração, pagou na mão da minha irmã pediu:

– Fica tranquila, não precisa ficar triste e sofrer, porque estou em paz e só tenho que agradecer por ter chegado até aqui.

O humor sempre foi a marca deles e, mesmo na hora do perdão, ela brincou:

– Só não te perdoo numa coisa – tu teres votado no Bolsonaro. Foi um momento de descontração deles, no último sorriso trocado, juntos.

Perdemos um protagonista do diálogo envolvente, contador de causos fascinantes e cheios de significados. Além de excelente profissional, conseguia ser pitoresco e, ao mesmo tempo, emocionante. Como poucos, encantava com suas histórias em sóbria interpretação.  Parecia uma máquina cativante, do rizo e da descontração hilariante.

Assim, outros amigos e amigas, foram entubados e enterrados sem terminar suas histórias e sem direito a despedida. Lágrimas quentes e silenciosas escorrem, ardendo ferimentos na face de muitas famílias.

A covid espalhou insegurança geral e aterrorizante medo da morte. Muitas pessoas estão em depressão. Desconfiam de todos e em todos os lugares. Parece o mundo derreter, entre os dedos.

– Vi o medo em olhares de pavor. Vi conhecidos fugindo ao meio rural, em busca desesperada de isolamento e proteção. Vi um a espécie de vertigem existencial, fazendo perder o sono.

– Não te aproxima de mim, falou a vizinha, com olhar fixo e assustado! Estou com muito medo dessa doença! Bradou ela, em marcha à ré.

– Assustei com imagem tenebrosa. Seria de Auschwitz? Não. De Porto Alegre, a fumaça escura de corpos cremados, saindo em chaminé, por faltar cemitério. 

A tragédia tem nome e sobrenome: Negação Obscurantista.

Nenhuma outra tragédia poderá superar a negação da Covid – 19, no Brasil. Já temos 25% das mortes do mundo e somos a “tríplice emergência global”: Ambiental, social e sanitária. Ambas inter-relacionadas em causas e efeitos.

A emergência é muito mais profunda do que imaginamos. Estamos sob a espada mundial da “ameaça sanitária”, com novas variantes do vírus. Infecções e mortes descontroladas, ultrapassando 300 mil e caminhando para chegar em 500 mil, podendo ultrapassar os EUA, o mais impactado até aqui.

Não foi falta de previsão científica, em 2 motivos principais: A influência negativa de Trump sobre o governo brasileiro, no negacionismo (a farsa da cloroquina foi projeto político para manter a confiança do povo). O segundo, a situação de risco sanitário na maioria das cidades, especialmente as capitais, onde o vírus encontra condições ideais para multiplicar.

Neste momento, uma nova definição de barbárie Brasil: escolher entre quem terá direito a respirar, com respirador e viver e quem ficará sem respirador e morrer. Nesse terror da escolha entre quem deve viver e quem pode morrer, muitos profissionais de saúde estão desesperados e familiares na dor incontida.

Apesar disso, uma realidade sacana: festas clandestinas, gente sem máscara circulando, autoridades relativizam o perigo e pressões na ciência. O vírus agradece a irresponsabilidade coletiva, que permite a multiplicação, dele e de mortos.

Só um caminho, seguir a ciência: máscara, distanciamento social, higiene pessoa e ambiental e vacinação em massa. Esse é o imperativo à vida continuar e a economia funcionar.

Já são 12 meses sem colocar um tênis e caminhar no Parque dos Ipês. Não saio, mas sonho com o fim da travessia do deserto. Meu otimismo reage: venceremos, porque temos ciência e o bem sempre vencerá o mal.

Oxalá, possamos apreender na crise. Governantes, empresários e a população – eu e tu – precisamos “Fazer as pazes com a Natureza” e respeitar normas sanitárias, como condição ao controle da Pandemia e prevenir outras, que podem vir da Amazônia derrubada e queimada, como preveem cientistas.

Quem vai responder por tamanha TRAGÉDIA brasileira?

Pensem nisso!

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