Por Redação –
No último sábado, 25 de julho, foi celebrado o Dia do Escritor. Mas por que essa data é comemorada?
Se recorrermos aos dicionários, o “escritor” é definido de maneira simples, aquele que escreve, que produz obras literárias, um autor. Contudo, a história humana revela que a escrita e a figura de quem a exerce nasceram envoltas em profunda nobreza e responsabilidade. Desde os antigos escribas egípcios, que detinham o poder de registrar o tempo e a história, até os monges enclausurados nos mosteiros medievais preservando o conhecimento, escrever sempre teve o propósito primordial de gravar mensagens para atravessar gerações.
Mas ser escritor vai muito além de registrar fatos. Envolve emoção pura, o choro, a risada inesperada, o medo, a reflexão e a imaginação sem amarras. O verdadeiro criador literário possui a habilidade quase mágica de transportar o leitor para dentro da história, fazendo-o respirar mundos paralelos. No entanto, datas comemorativas muitas vezes passam despercebidas até que a ficha cai. Afinal, por que existe o Dia do Escritor? A resposta reside no fato de que escritoras e escritores são fundamentais para o modo de pensar da humanidade, carregando a imensa responsabilidade de traduzir a alma humana em palavras.
Para aprofundar essa discussão sobre o impacto da literatura fora dos grandes centros urbanos, conversamos com Carlos Magno Mieres Amarilha, historiador, poeta, pesquisador e presidente do Grupo Literário Arandu.

Folha de Dourados – Qual é o papel do escritor em Mato Grosso do Sul?
Carlos Magno Amarilha – Uma coisa é você ser escritor na capital e outra é do interior. E também depende da cidade do interior, tudo depende em termos sociais e de influência. Lógico, sendo do interior você não tem visibilidade nenhuma em termos estaduais. Por isso, os escritores se filiam em entidades e é fundamental a existência de academias para poder se ajudar nas publicações, que muitas vezes são feitas de forma coletiva, que chamamos de coletâneas.
Mas os escritores criam ícones de pertencimento identitário. São os escritores que descongelam esses ícones. Como o nosso estado de Mato Grosso do Sul é novo, os escritores têm um papel muito forte e influência na literatura. Vão cantar o Pantanal, o tereré, a sopa paraguaia, o soba da feira. Cantamos tanto o Pantanal em versos, cinema, músicas, teatro e dança que o Pantanal parece nosso, de Mato Grosso do Sul, mas se formos ver bem, o Pantanal mesmo é nas bandas de Cuiabá!
Ainda assim, os artistas e principalmente os escritores vão cantar como pertencimentos de MS a polca, o chamamé, a guavira. Pode ter certeza de que os poetas e escritores registraram tudo isso em seus livros. Os escritores em Mato Grosso do Sul são os tops da criação de identidades do estado.

Folha de Dourados: Como tem sido a produção e a atuação do Grupo Literário Arandu ao longo dos anos?
Carlos Magno Amarilha – Mesmo morando em Dourados, estamos desde 17 de maio de 1997 com CNPJ ativo, para a gente não depender de São Paulo ou de outros grandes centros. Com o Grupo Literário Arandu, conseguimos imprimir livros e revistas de autores da nossa cidade e da região da Grande Dourados.
São mais de trezentos títulos nesses 29 anos, o que é muita coisa por se tratar de produção do interior. Os membros do Grupo Literário Arandu são artistas, poetas, escritores, professores, pesquisadores, jornalistas, artistas gráficos e intelectuais. Cada um toca sua vida social e profissional, mas sempre doamos algumas horas para a entidade. Assim, publicamos cerca de seis livros por ano, embora a meta seja alcançar dez obras anuais.
Além disso, organizamos o FELIT-MS (Feira da Literatura de Mato Grosso do Sul), semanas de literatura, saraus, Fuga Literária, Colóquio da Literatura de MS, Jornada Científica Arandu, seminários, cursos e oficinas, evidentemente ao longo dos anos, conforme a nossa realidade.
No fim das contas, como bem pontua o historiador e poeta, ser escritor é algo verdadeiramente especial. É dar voz a uma terra, tecer laços comunitários e manter acesa a chama da imaginação humana.





