A perigosa brincadeira do governador André Puccinelli
Presidiários – 21/01/2010
Oscar Ramos Gaspar
Mesmo que de brincadeirinha, ao ameaçar fornecer a presidiários que estão tirados do regime fechado para prisão domiciliar, endereços dos desembargadores do TJ/MS que lhes concederam o benefício, o governador André Puccinelli, de Mato Grosso do Sul, incorre num desatino.
Famosas, as incontinências verbais de sua excelência, vão do sarcástico ao hilário, modulando o seu humor(?). Nesse caso, porém, com a ameaça o governador expõe-se a um risco gratuito e desmedido.
Imagine-se que nos próximos dias um dos três desembargadores que decidiram mandar pra casa os presidiários que tinham direito ao semi-aberto mas estavam sob regime fechado por que o Poder Executivo não concluiu presídio com essas características seja vitima, direta ou indireta, de assalto ou agressão. Será óbvia e automática a relação com o destempero verbal do governador.
É público e notório que André Puccinelli, mesmo em rodas não tão restritas, faz referências pouco ou nada lisonjeiras ao Judiciário estadual, sempre com a precaução nesse caso ele se cuida de não ‘fulanizar’, de não declinar nomes.
Contudo, nesse caso da liberação dos trezentos presos que ilegalmente vinham cumprindo pena em prisão de segurança máxima quando têm direito a regime que lhes permita trabalhar durante o dia, o governador sul-mato-grossense brincou com fogo. Por via das dúvidas ou dúvida das vias, o secretário de Segurança Wantuir Jacini deveria reforçar a segurança velada ou ostensiva para os desembargadores, cujos endereços Puccinelli ameaçou delatar aos detentos liberados.
Depois da afronta verbal com o respectivo troco, aliás no mesmo e baixo nível ao ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, essa incontinência Puccinelli em relação a membros do Poder Judiciário no exercício de suas funções constitucionais pode devolvê-lo à mídia nacional pelos mesmos motivos nada edificantes. Se alguém jogar uma pedra no telhado de um desses desembargadores, Puccinelli será responsabilizado. Precisava? Claro que não.
Fonte: www.blogodooscar.com.br



