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A Paróquia tem futuro?

Artigo – 19/02/2008

Ao longo dos séculos as estruturas paroquiais foram mudando. Do grego paroi-kia = ao redor da casa ou algo semelhante, à nossas estruturas atuais, “muita água rolou”.
Ela nasceu, certamente de uma necessidade pastoral, já que cresceu o número de católicos nos primeiros séculos, fazendo com que o bispo não pudesse ser ele mesmo o pastor que mantinha o contato direito com os fiéis, assim os sacerdotes, seus auxiliares foram assumindo este papel. No Brasil, a sede da paróquia era a cidade com milhares de habitantes, nas demais localidades – ligadas à matriz se encontrava (ainda hoje) as capelas. Contudo, a mentalidade era diferente, paróquia com sede nas áreas urbanas, mas com mentalidade rural.
Os seminaristas chegam às casas de formação, hoje, com a cabeça urbana, mas é no seminário e infelizmente nas faculdades de teologia que a pastoral urbano ainda não é pensada adequadamente.
De fato, o pároco faz, na maioria das vezes, a paróquia sua imagem e semelhança, a prova disso é que nem sempre o plano de pastoral da diocese, adaptado à paróquia, persevera quando se muda de pároco.
Segundo especialistas, ainda existem quatro modelos de paróquias que aqui descrevo: Tradicional: tudo gira em torno da matriz e do pároco. O povo é chamado para o templo, não só nas missas, também nas formações nos salões paroquiais. Modernizada: modernizada é diferente de moderna, mas já admite maior participação dos leigos, eles estão subordinados – não ligados – ao pároco. Descentralizada: a Igreja Particular (diocese) é seu fundamento – unida às demais dioceses e Roma, os párocos são colaboradores dos bispos, que é o pastor. A paróquia é mais que administração, é uma célula orgânica. Ela espelha-se na Igreja Primitiva, descentralizada. Rede de Comunidades: o nome já diz tudo, inclusive a matriz passa a ser comunidade, o pároco passa a ser “mestre” e não dono. Ora, isto significa nada mais, nada menos do que criar novas estruturas e métodos de formação cristã.
Talvez o “problema missionário” da paróquia, seja a sua própria finalidade histórica e estruturalmente definida: na paróquia, a liturgia tende a se tornar a principal atividade da Igreja, e não raro torna-se a única atividade, a ponto de se reduzir toda a ação evangelizadora da Igreja no mundo, à ação litúrgico-catequética no interior do templo.O problema não está, evidentemente, nas normas da Igreja relativas à celebração litúrgica e à assembléia eucarística. Mas reduzir toda a comunidade paroquial a uma assembléia litúrgica, não é o plano de Deus!
Paróquia como rede de comunidades parece ser uma resposta aos desafios atuais de um mundo urbano e globalizado, onde a população vive no anonimato, inclusive religioso. Ninguém em sã consciência pode negar que esta necessidade é urgênte, no entanto, a comunhão e a doutrina nunca podem ser esquecidas, pois se mal interpretada pode ser o grande perigo deste modelo, se provocar o sentido de não pertença, transformando-se em “igrejas particulares” dentro da paróquia ou panelinhas.
Portanto, se a meta da ação pastoral da Igreja é “tornar cada batizado sujeito ativo da missão”, então a ação pastoral da Igreja na cidade, deveria desenvolver-se no sentido de criar uma “rede de comunidades”, dirigida para o laicato poder evangelizar os seus próprios ambientes normais de vida e atuação, sempre acompanhados pela Igreja, através dos coordenadores devidamente formados e em comunhão com o pároco e com o plano pastoral da diocese.
A V CELAM (Conferência Episcopal Latina Americana) chama a atenção para a paróquia como “comunidade de comunidades”, “onde todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente”. “A renovação das paróquias no início do terceiro milênio, exige a reformulação de suas estruturas, para que sejam uma rede de comunidades e grupos, capazes de se articular – conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos e missionários de Jesus Cristo em comunhão. A partir da paróquia é necessário anunciar o que Jesus Cristo ‘fez e ensinou’ (At 1,1) enquanto esteve entre nós”. Só através da multiplicação dos missionários leigos, poderemos chegar a responder às exigências missionárias do momento atual. Também é importante recordar que o campo específico da atividade evangelizadora laica é o complexo mundo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia, assim como as esferas da família, da educação, da vida profissional, sobretudo nos contextos onde a Igreja se faz presente somente por eles.
 
Pe. Crispim Guimarães – Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados.

Fonte: Folha de Dourados

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