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‘A minha Escolinha’, por Antonio Viegas

Artigo – 20/08/2007

Falar a respeito da Folha de Dourados é como lembrar de sua primeira professora, de sua primeira escola. É viajar no tempo e parar para um momento de reflexão. É analisar várias fases e, no meu caso, cada passo dado desde que meu pai, Sátiro Luiz Viegas(falecido), me levou em sua motocicleta, uma “Xispa”, e disse ao Theodorico: “Aqui está o guri. Ensina o que você puder pra ele”. Isso foi em 1974.
Essa palavra “ensina”, ficou gravada em minha mente porque foi isso que aconteceu. Theodorico me ensinou e, foi graças a esse ensinamento que hoje me considero um profissional. Mas essa viagem ao tempo está servindo ainda para refletir sobre fatores importantes que levaram o jornalismo ao que é hoje. No princípio, o que dispomos hoje era tudo sonho. A modernidade. São poucos os que conseguem imaginar como era fazer produzir um jornal. A Folha me fez viver isso.
As composições a mão, letra a letra e depois de pronto a devolução de cada uma seu devido lugar; as fotos que demoravam três dias para serem reveladas, quando não se tinha ainda um laboratório próprio; a utilização de pelo menos cinco tipos de ácidos e outros produtos para permitir a impressão de uma fotografia, os chamados clichês. Sem contar é claro, com a velha máquina de datilografia e o grande número de “xis” que se colocava quando um erro era cometido.
Enfim, ninguém hoje consegue imaginar a dificuldade e os inúmeros processos para que um jornal fosse colocado nas ruas, sem contar é claro, com a censura da ditadura. Hoje, em menos de cinco minutos é possível tirar uma fotografia e encaminhar para qualquer parte do mundo. A evolução foi imensa em um espaço de tempo tão curto. Hoje somos chamados de “dinossauros”, mas é motivo de orgulho. É um privilégio ter passado por todas essas fases e ter se adaptado ao processo. Com certeza se valoriza muito mais o trabalho e profissão.
A Folha de Dourados proporcionou isso tudo a muitos que ainda estão na ativa como eu. Foram oportunidades que quem abraçou certamente se sente honrado hoje. Foram portas que se abriram e, que permitiram a muitos, como eu, traçar um caminho, definir uma profissão. Ver novamente esse título no cabeçalho de um jornal, realmente é uma emoção muito grande. É como passar à frente do local onde você aprendeu a ler e escrever, e dizer com muito orgulho para seus filhos e netos: “ESSA FOI A MINHA ESCOLINHA!”
Como ex-aluno desejo a vocês que hoje vão dirigir ou estudar nesta escola, que ela seja o que foi pra mim.
 
* Antonio Viegas é jornalista e trabalhou na Folha de 1974 a 1991, de onde saiu para ingressar no Correio do Estado, onde continua atuando.                

Fonte: Folha de Dourados

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