“A ferrovia viável para o MS”, por Waldir Guerra
"A ferrovia viável para o MS", por Waldir Guerra
Geral – 26/07/2010
A ferrovia ainda é o melhor meio no transporte de grandes cargas num país de dimensões continentais como o Brasil.Nos últimos quarenta anos a força brasileira no mercado mundial deveu-se quase inteiramente às exportações da produção agrícola. Foi através da exportação de suas commoditys – produtos agrícolas mais minérios – que o Brasil se tornou importante no atual mundo globalizado.Soja, carnes, açúcar e minérios tornaram nosso país conhecido no mundo todo. Nossa produção progrediu mais do que o triplo nesses últimos quarenta anos, contudo, os meios de transportes, especialmente o ferroviário, o mais importante deles para o transporte de grandes cargas, nada avançou.Um exemplo disso é o aumento na produção de soja pelo estado de Mato Grosso que nesses quarenta anos saiu do nada para 18 milhões de toneladas. A única ferrovia que alcança o Estado proveniente dos portos está com sua construção parada há vinte anos na cidade de Alto Taquari. É um milagre como toda a produção daquele Estado – maior produtor de soja, gado e algodão do país – consegue alcançar os portos de exportação. Aqui no Mato Grosso do Sul a ferrovia que atendia a demanda do Estado, inclusive a Bolívia, está praticamente desativada no trecho Campo Grande – Corumbá. Serve quase somente para o transporte de combustível. O trecho Campo Grande – Ponta Porã, totalmente abandonado. Apesar das boas promessas já tantas vezes anunciadas por todos os governos, como a ligação ferroviária Cascavel – Maracaju, agora entra em cena uma nova promessa de ferrovia: de Panorama a Porto Murtinho a EF 267. Panorama é uma pequena cidade no estado de São Paulo localizada às margens do Rio Paraná entre nossas cidades de Bataguassu e Três Lagoas. E importa aqui dizer que hoje está em operação até Panorama uma linha férrea de bitola larga (1,60 mt) vinda do porto de Santos. Outra, também com bitola larga está em construção partindo de Belém (PA) até Panorama, com 3.100 km. Atualmente já alcançou o estado de Goiás A concessão dessa ferrovia pertence à Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, uma empresa pública, controlada pela União através do Ministério dos Transportes e que está anunciando o início das obras do trecho Panorama a Porto Murtinho, num total de 750 km.Para os que estão imaginando esta obra esteja simplesmente beneficiando os interesses políticos do ex-governador Zeca do PT é bom esclarecer que os interesses, tanto da VALEC quanto do governo, são outros. O primeiro deles é abocanhar o transporte do minério de ferro, tanto boliviano quanto brasileiro, em Porto Murtinho, o melhor ponto para carregá-lo numa ferrovia, bitola larga, aos portos brasileiros e desviando, assim, de ser levado até a Argentina, como vem acontecendo hoje. O traçado original mostra que essa ferrovia inclui Dourados no trajeto, mas estudos atuais indicam que os trilhos passariam somente pelo município de Maracaju. Por conta disso os políticos locais precisam se antecipar – antes de o projeto se tornar definitivo – e incluir Dourados na rota. Os argumentos a ser usados, o mais forte deles, sem dúvida, deverá ser o que defende a Associação Comercial de Dourados, ACED: a possibilidade futura da integração do Brasil na rota ferroviária bi-oceânica que liga a Argentina ao Chile. Para isso bastaria complementar uma ligação de Dourados a cidade de Resistência na Argentina. O Brasil, com isso, estaria ligado por ferrovia, bitola larga, ao Chile via Argentina.Por serem múltiplos e grandiosos os interesses político-comerciais essa é, sem dúvida, a ferrovia mais viável, em médio prazo, para o Mato Grosso do Sul.* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Fonte: Folha de Dourados



