Foto: reprodução

Por Ilson Boca Venâncio

No período noturno, famílias e casais de namorados lotavam os pontos de alimentação onde eram diversas as opções de cardápio que já se tornaram tradicionais.  

Os mais populares eram os pasteis, espetinhos de carne assada com mandioca, frango assado com farofa, tapioca, pamonha, curau, doces diversos e a tradicional garapa de cana.  

Havia na feira livre a magia do momento.  De repente, é uma rua, de repente formava-se a feira. Esse encontro marcado, essa existência por determinado tempo. Depois tudo se desfaz e vira rua de novo.

Nesse espaço de encontro entre feirantes e comunidade para fins comerciais, acabava atraindo várias manifestações culturais, que contavam com a participação de consumidores dos mais diversos.

E como diz o poeta que “o artista tem de ir onde o povo está”, assim poetas, mágicos, repentistas, palhaços, pedintes, dançarinos, atores, pintores mambembe, artesãos, floristas, entre outros se ocupavam daquele espaço de interação popular, para a apresentação de seus  trabalhos.

Arte na Feira    

Arte de tradição como a “Capoeira” o artesanato, o circo, a dança, o canto, o teatro, a poesia, mágicos, Mala bares, fazem parte da história nossa feira livre. O floricultor, o apicultor, entre outros.  

Os mestres de capoeira , quando visitam a cidade, reunissem na feira livre, pela popularidade. 

Em Dourados a Nossa Feira Livre, foi criada no  ano de Mil Novecentos e quarenta e oito , pela administração de Carvalhinho, ao poucos foi se formando, com a participação popular foi de origem  nordestina, paulista, mineira, paranaense, pernambucana, japonesa, paraguaia, indígena, entre outros.

Com o tempo foi ganhando espaço e tradição, até chegar ao o ser reconhecido a sua importância cultural, sendo um ponto de importância turística da cidade, o que levou aos sessenta e dois anos da sua existência, à ser titulada como Patrimônio Público Histórico, e Cultural do Município.

Assim como toda história tem o seu começo, depois o passar do tempo vai criando hábito e formas próprias vão caracterizando suas raízes formando seu tronco, criando resistência, tornando um ponto de convergência popular.

O artista mambembe ao chegar à cidade, procura a feira para mostrar o seu trabalho, a feira passa ser um ponto de referência para o artista que passa pela cidade. O vendedor ambulante que sempre traz as novidades do momento, ao chegar à cidade procura a feira livre.

Assim a variedade de produtos oferecidos tornou-se bastante diversa e representativa, atendendo a diversidade cultural de seus frequentadores e a nossa Feira Livre da Rua Cuiabá vinha resistido ao tempo e a pressões, por ser uma atividade que ocupava a via publica destinada aos veículos

A feira livre crescia a cada momento que a cidade se expande. Aí vinha sempre a polêmica de mudar de lugar, o que desagradava aos seus frequentadores e expositores.

Apesar de outras feiras existentes na cidade, a tradição da Nossa Feira Livre da Rua Cuiabá, a cada dia que passava mais se fortalecia, funcionando os sábados e domingos e com funcionamento extra em datas especiais.

Devido ao crescimento populacional teve período que acontecia também às quartas-feiras. Para atender a demanda do crescimento, a Secretaria Municipal de Agricultura tem ajudado a organizado a realização de feiras em diversas regiões da cidade, preenchendo assim todos os dias da semana. 

A Feira Livre da Rua Cuiabá permanecia firme em sua tradição e organizada por setores – verduras e leguminosas, frutas, secos e molhados, carnes, aves e peixes, roupas e armarinhos, artesanato, sebo (livros, discos, roupas e calçados)

Os pontos de alimentação ficavam localizados nas esquinas, onde nas barracas eram oferecidos espetos de carnes, frango assado, tapioca, pamonha, curau, sopa paraguaia pastes, salgados caldo de cana, e doces, compotas entre outros. Além de ambulantes para fazer a alegria das crianças com algodão doce e outros atrativos. 

Neste percurso de seis décadas e meia de vida tenho visto que a nossa feira livr, trazia em sua historia a trajetória de vida de gerações, muitos dos seus feirantes permanecem a meio século.

Quando tombada e organizada por uma associação que tem como finalidade um fortalecimento organizativo e jurídico, com dificuldade, sem consenso para uma unidade, não  conseguiam uma ação participativa dos pares. 

A proposta dos meus textos para compor um livro não é somente o de relatar o cotidiano  vivido por feirantes, artistas e consumidores, ali vividos, mas também revelar através de entrevistas, a trajetória de vida dos feirantes, que resultou na construção da Feira Livre em diferentes momentos da sua existência. 

 Assim sendo na próxima matéria, publicarei a primeira personagem. Aguardem…

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