Berenice de Oliveira Machado Souza (*) –
Hoje quero explanar sobre o assédio moral e tortura psicológica que sofremos por alguns médicos peritos do INSS em Dourados-MS, com comportamentos rudes, arrogantes com atos de humilhação durante perícias médicas.
Esse tipo de conduta inaceitável viola a nossa dignidade, cuja dignidade é conferida pela Constituição Federal, sem seu artigo 1.º, inciso III “Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: […] III – a dignidade da pessoa humana […].
O ambiente fica tenso e o medo do indeferimento de forma injusta, ou pela antipatia do profissional com o paciente, transformam a sala de espera em um espaço de sofrimento psicológico, um ambiente de terror, um pânico que nos deixa numa vulnerabilidade extrema, e da dependência financeira do benefício.
Não podemos ficar calados, porque os médicos peritos são funcionários públicos e, como tal, estão vinculados ao princípio da moralidade administrativa, além de estarem sujeitos ao Código de Ética Médica e às normas dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).
Sempre ouço as pessoas dizerem que são maltratadas pelo perito do INSS e essa já é uma prática corriqueira, isso sempre foi assim. Gente isso não pode continuar sendo assim! Até quando vamos ser assediados e humilhados por esses Peritos que realizam essas práticas?
Não falo no geral, mas em sua maioria sim! São idosos que muitas vezes sentem vergonha e se sentem culpados por estarem doentes e sem condições de seu próprio sustento, outros estão ali por ter sido acometidos por um acidente que muitas vezes nem culpa tiveram. Já passou da hora de darmos um basta em tudo isso pois sofremos diante de uma pericia medica no INSS em Dourados-MS.
Chega de sermos humilhados, desrespeitados, de duvidarem da nossa doença, do nosso diagnóstico, mesmo sendo conferido por outros profissionais médicos, de sermos tratados com grosserias e de formas agressivas. Esses Peritos utilizam de seus cargos para nos intimidar com falta de ética! Não realizam exames clínicos adequados, além de nos causando dor e desconforto, num ato de frieza excessiva, zombando das nossas queixas e tratando a dor como fingimento, sem fundamento técnico.
Forçam movimentos que já foram amplamente comprovados por laudos médicos, dizendo ser impossíveis, apenas para humilhar ou pressionar o segurado. O exame físico é um direito e dever do perito, mas deve ser pautado no respeito à dignidade humana, com ética e dentro dos padrões a que foi formado. A dor subjetiva deve ser valorada, não apenas a dor visível, mas a dor da vergonha, a dor da alma.
Esses profissionais ignoram documentos oficiais, agindo com negligência. Acham que nós pacientes/segurado gostaríamos de estar sendo submetidos a esse tipo de assédio e tortura psicologia como se estivesse fingindo de estar doentes. E os profissionais médicos que nos atenderam anteriormente jamais iriam se prestarem a esse tipo de comportamento e atitude, se não fossem a realidade da nossa situação médica, já comprovadas por exames de imagens como Ressonâncias Magnéticas.
Os Peritos a que mencionamos alegam que são recursos públicos que estão jogo com certeza. Mas nós contribuímos uma vida inteira, e na hora que estamos fragilizados, doentes, e passando necessidade para nosso sustento ,na aquisição de medicamentos para aliviar nosso sofrimento, nossa dor, encontramos essa barreira de enfrentamento – assédio!
Aí eu pergunto: Porque existem os rombos do nosso dinheiro junto ao INSS? A perícia médica deve ser um ato técnico e ético, e não uma avaliação punitiva. Casos de assédio são considerados crimes e/ou infrações graves. Estudos demonstram maus-tratos em perícias no INSS, incluindo humilhação, comentários rudes e desrespeitosos, são relatos frequentes que podem configurar dano moral, com condenações à autarquia.
Se continuarmos calados, o nosso silêncio apenas perpetua os abusos e deixam os segurados vulneráveis à mesma situação. Denunciar e agir são direito nosso e um ato de cidadania. Vamos nos posicionar chega de abusos contra nossos direitos.
(*) Ex-secretária municipal de Saúde, Coordenadora do Programa Municipal deDst/Aids e Hepatites Virais de Dourados, Coordenadora do Fórum dos Trabalhadores em Saúde (2015 a 2018), Presidente do Conselho Municipal de Saúdede Dourados (2013 a início de janeiro de 2019), Servidora pública e graduada em Serviço Social





