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A Antiga e a nova mensagem da cruz

Espiritualidade – 13/10/2009

No evangelho de Lucas 9:23, encontramos uma frase desafiadora: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga”. Essencialmente essa desafiadora frase de Jesus mostra que é necessário imolar a minha vontade, quando ela não se coaduna nem está em sintonia com a vontade de Deus. Renegar ao meu “eu” significa não aniquilar a minha personalidade, mas sim orientar-me unicamente através das orientações de Cristo e para o seu exemplo e projeto de felicidade para minha vida. Neste sentido, a expressão de João, o batista “Ele deve crescer e eu diminuir”, registrada em Jo 3:30 pode muito bem ser a resposta que cada cristão deve dar, em cada instante, a Jesus Cristo e ao desafio que Ele me lança com vista à aceitação da “cruz” no dia-a-dia da minha vida. É interessante, porém  notar que sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova mensagem da cruz introduziu-se nos círculos evangélicos hodiernos. Ela é parecida com a antiga mensagem da cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais. Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e desta nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica, um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o antigo, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior.
Podemos observar que  a mensagem da antiga cruz não fazia aliança com os valores do mundo. Para a carne orgulhosa  ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A mensagem da antiga cruz se opunha ao mundo, seus valores e a todo tipo de carnalidade. A mensagem da nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendermos bem, considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa o velho homem e seus valores corrompidos viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ela continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar coros e a assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente. A mensagem da nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. Muitos pregadores hodiernos não exigem a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Muitos não pregam contrastes, mas semelhanças. Buscam a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis mas, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano mais elevado, superior.  O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento é mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor, superior.
A mensagem da nova cruz  ao contrário da antiga não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar em um modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: “Venha e mostre-se arrogante a favor de Jesus Cristo”; e declara ao egoísta: “Venha e vanglorie-se no Senhor Jesus”. Para o que busca emoções, chama: “Venha e goze da emoção da fraternidade cristã”. A mensagem do Senhor Jesus é manipulada na direção da moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público. A filosofia por trás disso pode ser sincera, mas na sua sinceridade não impede que seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz. Entendemos também que a mensagem da antiga cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria  estava indo para seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com sua vítima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho o homem já não existia. A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressuscitando – o em novidade de vida. “E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”- 2 Co 5:17. O evangelismo que traça paralelos amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto; mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer. Nós, os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Jesus Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar o Senhor Jesus aceitável aos homens de negócio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas, somos  profetas e sacerdotes,  e nossa mensagem não é um acordo mas um ultimato, nossa oração é para que se convertam e vivam. Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por Ele oferecida é um resultado da morte. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pelo castigo. É preciso que repudie a si mesmo e concorde com a justa sentença de Deus contra ele.Você pode se perguntar: O que isto significa para o indivíduo, e como o homem condenado pode encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser traduzida em termos de vida?  A resposta é muito simples, ele deve arrepender-se de seus pecados e crer no sacrifício do Senhor Jesus em seu lugar. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada, nem perdoar nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merecemos  a morte como conseqüência dos nossos pecados. Feito isto, devemos contemplar com sincera confiança o salvador ressurreto e receber dEle vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Jesus Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo, este é o poder oferecido pela antiga cruz, mas ela cobra ação, arrependimento, fé, entrega total aos cuidados do Senhor.
Para quem deseje fazer objeções a este conceito ou considerá-lo apenas  um aspecto estreito e particular da verdade quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não nessas exatas palavras, este foi o conteúdo de toda pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos. Os místicos, os reformadores, os reavivalistas, colocaram aí a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da operação divina. Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós com nossos lápis grossos apagar as linhas do desenho ou alterar o padrão que nos foi mostrado no Monte? Que Deus não permita! Vamos pregar os valores da antiga cruz e conhecermos o antigo poder. A antiga cruz exige renúncia, mortificação da carne, obediência irrestrita a palavra de Deus, vida de oração, vida aos pés do Senhor, já a nova mensagem da cruz faz concessões, não você não precisa mudar tanto, não seja fanático para que ler tanto a bíblia, para que orar tanto, para que testemunhar de Jesus Cristo aos outros, para que ir tanto ao culto. A nova mensagem da cruz nada mais é do que o caminho largo que conduz a perdição. Eu creio que você que está lendo esta matéria foi atraído pela ação do Espírito do Senhor, e Ele deseja que você  viva os valores da antiga cruz,que tenha vida abundante e frutífera, que você diminua e que Jesus cresça. O Senhor deseja que você faça diferença neste mundo tão indiferente, Ele quer e vai abençoar a sua vida, o seu casamento, a sua família, Ele vaia reavivar a chama de sua pequena fé que está quase apagada, para isso escolha viver os valores da Antiga Cruz.* Extraído e adaptado de A W Tozer –  www.ibcambui.org.br.

      Valdenir Aparecido Duarte
Pastor da Igreja Batista Boas Novas
                   Teólogo
           Capelão Hospitalar
     Apresentador do Programa Falando de Vida
              TV Gran Dourados – Canal 9e-mail: [email protected]

Fonte: Folha de Dourados

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