Congresso reage a Chávez e ameaça adesão venezuelana
Mercosul – 22/09/2007
O Congresso Nacional reagiu irritado à nova declaração do presidente Hugo Chávez sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul, às vésperas da primeira votação sobre o tema. A tensão pode atrasar ainda mais a aprovação da adesão.
Num encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, em Manaus, o líder venezuelano disse que seu país não vai “rastejar” para entrar no bloco.
Parlamentares governistas e da oposição protestaram fortemente. “Cada vez mais ele mostra o desrespeito que tem com o sistema representativo, a pouca importância que dá ao Parlamento, não só do Brasil, mas de qualquer país”, disse à Reuters o deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE), líder do governo na Câmara. Ele reconheceu que os recentes episódios arrastam ainda mais o já atraso processo no Legislativo.
A nova investida de Chávez resgata a contenda diplomática protagonizada recentemente, quando acusou o Congresso brasileiro de “papagaio” dos Estados Unidos.
O PSDB, maior partido de oposição do país, subiu o tom e prometeu fazer o “possível e o impossível” para impedir o ingresso da Venezuela no bloco.
“Não adianta ele pressionar com esse discurso atrasado e com esse cacoete de insultar parlamentares para forçar a aprovação do ingresso do seu país no Mercosul”, disse o partido por meio de nota, divulgada nesta sexta-feira.
A primeira votação está marcada para a próxima quarta-feira na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Mas parlamentares da base aliada não descartam a possibilidade de adiamento por conta da atual tensão.
O comércio bilateral entre as duas nações duplicou de 2003 a 2006, atingindo 4,1 bilhões de dólares. Para que o ingresso seja formalizado, o processo de adesão deve ser aprovado por duas comissões na Câmara e pelo plenário da Casa. Depois, segue para o Senado, onde percorre o mesmo caminho.
Alguns parlamentares avaliam que, com a “corda esticada”, ficará muito difícil resolver o assunto ainda este ano, prazo já estipulado por Hugo Chávez como limite. Apesar das frases duras de setores oposicionistas, algumas lideranças defendem que uma retratação pública poderia reverter o atual cenário de desgaste.
“Diante de tanta fanfarronice, já estou achando melhor não aceitá-lo para não nos arrependermos amanhã dos incômodos de sua companhia às nossas relações comerciais com parceiros preferenciais, como Estados Unidos e União Européia. Chávez voltou ao território brasileiro insultuoso e arrogante. Pediu para não ser aceito no Mercosul. A menos que se retrate, vamos fazer resistência”, afirmou o líder do Democratas no Senado, José Agripino (RN).
Apesar de ter uma maioria folgada na Câmara, o Palácio do Planalto tem uma base frágil no Senado. Se PSDB e Democratas decidirem fechar questão contra a proposta, o governo terá de negociar muito para aprovar a medida.
Fonte: Reuters



