Eucalipto: dinheiro que dá em árvore
Reflorestamento – 24/09/2007
O cerrado do Mato Grosso do Sul, acostumado a pastagens e lavouras de soja (em processo de ambientação com a cana de açúcar), está redescobrindo que plantar eucalipto pode ser um ótimo negócio. O mercado da madeira de reflorestamento está em expansão no estado, e de acordo com Associação de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS), Luiz Ramires Júnior, a oferta é cinco vezes menor que a procura.
O reflorestamento é uma atividade que interessa ao Governo Federal incentivar. Na semana anterior, o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Tasso Azevedo, disse que apesar de ocupar menos de 1% do território nacional, as florestas comerciais (áreas de reflorestamento) rendem ao Brasil cerca de R$ 10 bilhões por ano em exportações, mesmo valor que a atividade pecuária, que ocupa quase 20% do território brasileiro.
A demanda de eucalipto no Mato Grosso do Sul, deve-se, principalmente, às indústrias de siderurgia, minero-siderurgia e papel e celulose Segundo Luiz Ramirez, o estado necessita, hoje, para atender as indústrias desses setores, de 500 mil hectares, mas apenas 120 mil hectares estão plantadas até agora – ainda há o setor moveleiro, grande consumidor, que não entrou nas contas de Ramirez.
Segundo a SFB, o reflorestamento com fins comerciais está crescendo e, em 2006, o Brasil plantou 1 bilhão de árvores, numa expansão de 627 mil hectares. Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (Abraf) mostram que o país tem 5,3 milhões de hectares de florestas comerciais, dos quais 3,5 milhões são plantações de eucalipto, de propriedade de grandes empresas produtoras de papel e celulose, por exemplo. Segundo o SFB, a participação dos pequenos produtores está crescendo e saltou de 8% em 2002 para cerca de 25% no ano passado.
Além de aumentar a participação dos pequenos produtores na atividade – a meta é chegar a 30%, – outro desafio apontado por Azevedo é estimular a utilização de espécies nativas. “Precisamos ampliar o plantio com espécies brasileiras, porque a maior parte do plantio feito atualmente no país é de eucalipto e Pinus [pinheiro], que não são espécies originárias do Brasil e, em algumas situações, não trazem os benefícios que a biodiversidade traz”, comentou.
Na última semana (19,20) produtores, pesquisadores e técnicos do Governo do Estado, participaram de um encontro em Campo Grande para discutir novas tecnologias e a sustentabilidade do setor de florestas no estado, durante o I Seminário Florestas Plantadas de Mato Grosso do Sul. Um dos objetivos é que o estado recupera o potencial de reflorestamento que houve nos anos 70 e 80, quando o Governo Federal incentivou o setor em Mato Grosso do Sul.
Destinado a empresários e investidores na área florestal, o evento reuniu representantes dos governos federal e estadual, lideranças políticas, professores e universitários de cursos ligados à área. O seminário promovido pelo Sebrae/MS e pela Reflore, discutiu, ainda, os pontos de estrangulamento da área de logística, ambiental e crédito e ampliação da participação do setor florestal na diversificação da produção agropecuarista.
Na última sexta-feira (21), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, divulgou o cronograma de concessões em florestas públicas para exploração sustentável, onde adiantou que o Brasil levará à conferencia sobre o clima, Bali, dezembro próximo, proposta de preservação de florestas relativo ao mercado de crédito de carbono, outro rendimento que o produtor de eucalipto pode se beneficiar. De acordo com a ministra, só com a Floresta Amazônica o Brasil pode receber até um bilhão de dólares com créditos de carbono.
Fonte: Folha de Dourados



