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MS teve 10,8 mil abortos inseguros em 2006

Pesquisa – 03/10/2007

O aborto é uma prática silenciosa, mas comum no Brasil e em Mato Grosso do Sul, segundo estudo inédito, que identifica o tamanho da utilização do procedimento, nem sempre de forma segura. No País, a estimativa é de um milhão de abortos inseguros todos os anos e no Estado, o cálculo o levantamento é de que, só em 2006, tenham sido 10,8 mil casos. O dado, tanto nacional como o estadual, é baseado em um índice que considera informações levantadas junto ao Ministério da Saúde, em relação às internações geradas por abortamentos. A partir desse número, os pesquisadores projetam que outros três casos ocorram sem que haja conhecimento das autoridades. A pesquisa elaborou um índice de risco de aborto para a população feminina, considerando o número de casos a cada grupo de mil mulheres. No Estado, assim como ocorre de norte a sul brasileiros, há uma discrepância muito grande nos índices. A média geral mostra que o “risco-aborto” é de 17,4 para cada grupo de mil mulheres. Em Campo Grande, essa relação é de 16,9 para mil mulheres, menor que a média estadual, conforme aponta o estudo. Pela estimativa, só no ano passado teriam ocorrido na capital do Estado 3,8 mil abortos, considerando que foram pouco mais de 900 internações por essa causa registradas.Fronteira
Há municípios do estado a taxas de abortamento é bem mais altas que a média, como em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, onde ele é de 52 abortos por mil mulheres.
Em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, o índice também é alto, de 34 por mil. As duas cidades têm em comum o fato de estar próximas à fronteira, onde o acesso a medicamentos abortivos, de venda um tanto mais difícil no Brasil, é mais facilitado. A vinda de mulheres do outro lado da fronteira, para se tratarem no Brasil depois de um aborto, seria outro motivo do alto motivo de internações por essa causa, e por conseqüência do risco de abortamento. Na pesquisa, o risco também é extratificado por faixa etária. Em Mato Grosso do Sul, ele é maior para mulheres jovens, dos 20 aos 29 anos, chegando a 27,7/mil. Para mulheres entre 30 e 39 anos, o número é de 13,9 anos. Entre as adolescentes também é alto: a cada mil, 20,5 podem ter feito um procedimento abortivo. No País, o estudo indica que os abortamentos feitos de forma insegura são um problema de saúde pública que deixa mulheres mortas anualmente. De acordo com o estudo do Ipas, de 2000 a 2004, ocorreram 697 mortes em conseqüência de gravidez que termina em aborto, principalmente de mulheres com idade entre 20 e 29 anos (323 óbitos no período).

Fonte: Campo Grande News

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