‘Tropa de Elite mostra a polícia bandida’, diz ouvidor da polícia SP
Cinema – 06/10/2007
Corrupção na polícia, uso da tortura para conseguir informações sobre suspeitos, violência exagerada. Tudo o que retrata o filme “Tropa de Elite”, do diretor José Padilha, que estreou nos cinemas nesta semana, acontece no dia-a-dia de uma grande cidade como São Paulo, afirma o ouvidor da Polícia do Estado, Antonio Funari Filho. No entanto, segundo ele, na vida real os fatos ocorrem em menor intensidade.
“Tropa de Elite” conta a história de um capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Rio de Janeiro, que, nas vésperas do nascimento de seu primeiro filho, busca um sucessor para deixar o cargo. O filme representa incursões do grupo nas favelas e aborda também a corrupção num batalhão policial que ganha dinheiro para proteger comerciantes e o jogo do bicho. “O filme mostra a polícia bandida que se outorgou o direito de matar, de fazer justiça”, diz Funari Filho, que não concorda com a visão glamourizada dos policiais de tropas de elite como se fossem policiais especiais. O ouvidor diz ser inadmissível o que chama de violência covarde: torturar e matar uma pessoa já rendida. “É um exemplo do que não deve ser a polícia”, atesta. “Quem comete tortura e mata é bandido, está desrespeitando a lei. Tortura não é admitida nem na guerra. Na guerra pode matar, mas não torturar, porque isso humilha o ser humano”. O problema, no entanto, está presente na polícia de São Paulo, admite o ouvidor. “Já ouvi falar do uso do saco nas cadeias [no filme, os policiais envolvem a cabeça das pessoas num saco plástico para torturá-las], mas não há ocorrências recentes. Atualmente, o que temos relatos, na PM, é de eles fazerem roleta russa com os suspeitos”, contou. Para Funari Filho, uma polícia competente deve usar a investigação e não métodos violentos. Segundo ele, é um erro pensar que é com violência que se vai conseguir combater o crime organizado. “Se esse tipo de coisa resolvesse, o Rio de Janeiro estaria uma maravilha”.
Na opinião de Funari Filho, policiais que agem dessa forma podem ter problemas psicológicos. Segundo ele, a ouvidoria solicitou à Secretaria da Segurança Pública que anualmente seja feita uma avaliação psicológica dos policiais para que sejam identificados os problemas e as pessoas sejam encaminhadas para tratamento.
Fonte: G1



