Ishy quer “dízimo” das usinas
Cidade – 22/10/2007
O vereador Elias Ishy de Mattos (PT) apresentou requerimento na Câmara de Vereadores de Dourados propondo a cobrança de 1% do faturamento anual das usinas sucroalcooleiras de Dourados. De acordo com o vereador, as usinas recebem importantes incentivos fiscais e não pagam impostos, em uma concorrência desleal com outros segmentos (…) é um setor com grande capital de investimento e lucros altíssimos; nada mais justo que também contribuam, assim como todos os outros segmentos, justifica.
Segundo Ishy, as usinas recebem isenção de até 90% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e não pagam Fundersul (Fundo de Desenvolvimento Rodoviário de Mato Grosso do Sul). Apesar disso, os usineiros querem estradas bem conservadas para circular seus caminhões. Enquanto isso, para vender um boi, o pecuarista precisa contribuir com o Fundersul, reclama.
Pelo projeto apresentado pelo vereador, a destinação anual de 1% do faturamento bruto das usinas para o município seria dividido igualmente entre os fundos municipais de Meio Ambiente, Assistência Social e Saúde. Se for aprovado, o recurso representará uma fonte importante de arrecadação para o Município.
Para o vereador, o imposto seria uma forma de as usinas compensarem socialmente os problemas acarretados pela instalação das usinas. Segundo ele, o valor cobrado anualmente das usinas será utilizado para o investimento em serviços voltados aos trabalhadores rurais, como saúde, educação, moradia e infra-estrutura. É um valor alto, mas que irá compensar minimamente as despesas geradas pelas usinas a partir do grande fluxo de trabalhadores no município, explica.
Outro lado – O empresário Celso Dal Lago, sócio-proprietário da usina Dourados Álcool e Açúcar, que está sendo instalada no distrito de Itahum, disse que, se aprovada, esta taxação vai afugentar todas as empresas que estão se instalando no município. Se a Câmara concordar com a necessidade de mais esta cobrança, tudo bem, mas de antemão já aviso: vai todo mundo embora, assegura.
O empresário Celso Dal Lago classificou o projeto como infundado e que não passa de manobra política do vereador para banir as indústrias de açúcar do município de Dourados (…) quanto mais onera os custos, mais difícil de operar, disse.
Fonte: Folha de Dourados



