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Cimento some da praça e ninguém explica direito a falta do produto

Desencontro – 22/10/2007

A falta de cimento, produto essencial para o andamento de construções, já está provocando atraso em várias obras em Dourados. Além disso, o preço do produto já subiu cerca de 20% de janeiro para cá. A escassez que ocorre em várias cidades do Centro-Oeste deve continuar atormentando o setor da construção civil em Dourados, onde a expansão imobiliária continua acelerada, como comprovam entidades representantes da construção civil em Dourados.
 
O presidente da Associação de comerciantes de material de construção de Dourados e região (Aconac), Marco Túlio, explica que a falta de cimento, segundo justificativa das fábricas, se dá em função da manutenção em equipamentos que fabricam o cimento. “O Grupo Votorantim, o Cimento Itaú em Corumbá, argumentam que a manutenção em máquinas que fabricam o cimento, fez com que houvesse a falta de cimento na cidade de Dourados”, diz ele.
 
O supervisor de vendas de uma grande rede de lojas de material de construção que também atua em Dourados, André Mansano, disse que a loja também enfrentou a falta do produto, mas afirmou que a situação já está normalizada, e também atribui ao fabricante a escassez do produto. “Durante uma semana ficamos com estoque baixo aqui na loja, a indústria que fornece o cimento é de Bodoquena, cimento Cauê, que alegou falta de matéria prima para fabricação do produto”, comenta o supervisor.
 
As explicações são desencontradas e não convencem, uma vez que a escassez de cimento é comum a diferentes empresas fabricantes do produto. A folha de dourados entrou em contato com a fábrica do cimento Cauê, em Bodoquena, e a direção da empresa negou que esteja havendo falta do produto, segundo eles, tanto a produção quanto a distribuição continuam normalizadas; a indústria afirma que não houve falta de cimento e nem falta de matéria prima.
 
O desencontro de informações fortalece a tese de setores da construção civil de que esteja havendo uma manobra para provocar o aumento de preço do cimento. André Mansano disse que o cimento já teve altas três vezes somente esse ano. “No começo do ano o cimento estava R$ 14,90, hoje depois de três aumentos ele custa em torno de R$ 17,50. Isso significa que o cimento teve aumento de 17.45%; há quatro anos o cimento custava R$ 21”.
 
O momento de crescente demanda em função do superaquecimento da construção civil em Dourados estaria sendo usado para inflacionar o preço do cimento. De acordo com o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Grande Dourados, Milton Gebara, a falta de cimento tem gerado dor de cabeça e atraso em várias obras. “Algumas obras Grande de Dourados, estão paradas por causa da falta de cimento e da mão-de-obra qualificada”, disse à folha de dourados.
 
A falta de mão-de-obra também é outro fator preocupante para o setor, declara Marco Túlio. “Em relação à mão-de-obra, há bastante procura e pouca oferta no mercado, por causa das grandes construções, como as universidades, dois grandes hotéis, mais de 50% de mão-de-obra esta ocupada”.

Fonte: Folha de Dourados

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