O Partido das Usinas em Dourados
Artigo – 22/10/2007
- Júnior Bittencourtt Há alguns meses, quando as discussões se acirravam em torno do Projeto de Lei que proibia as queimadas de cana no Município de Dourados, foi publicado um artigo na mídia do Estado com o título “Partido das usinas” tem 9 deputados na Assembléia”. A matéria além de citar o nome dos deputados e os valores recebidos como doação de campanha, acrescentava também o atual Governador – PMDB e mais três deputados do mesmo partido. Mesmo justificando que uma coisa não tem nada a ver com a outra, um dia após a publicação desta matéria no dia 09 de julho, os beneficiados pelos 1,4 milhões de reais somados, não conseguiram explicar porque investidores do setor canavieiro se dariam ao luxo de desembolsar uma quantia tão considerável.
Se de um lado é difícil explicar, do outro, parece que a obviedade ajuda: O mesmo governador do PMDB, beneficiado na campanha com R$ 720 mil, dá um prazo elástico de doze anos pra eliminação total das queimadas de cana no Estado, restringe a distância da instalação entre usinas pra 25 Km e contempla os usineiros com isenção fiscal, ICMS e Fundersul. Isso tudo aprovado na Assembléia com o aval dos nove deputados já citados na matéria.
Aqui em Dourados, o alinhamento de comportamento e medidas parece que não foi diferente: Começando pela acirrada votação na Câmara de Vereadores, tanto aqui como lá, o movimento partiu de um parlamentar do PMDB, que queria esticar o prazo pra eliminar as queimadas em quatro anos, mesmo sendo médico pediatra, já que tramitava no legislativo um Projeto de Lei de um Vereador do PT que proibia de imediato as queimadas de cana no Município.
Nos bastidores deste debate, os argumentos do parlamentar peemedebista, ao defender seu projeto eram o desenvolvimento e a geração de empregos. A tirar pelas articulações e o método de governar do seu partido, a verdade se esconde. À sombra deste imbróglio proposital soa estar em jogo os interesses da monocultura da cana e do latifúndio. Mesmo assim, o desfecho aqui em Dourados foi diferente. A sociedade douradense mostrou-se forte e organizada. Predisposta a defender os interesses da maioria da população e não de uma pequena minoria, como queria o PMDB, pressionou a bancada usineira de vereadores, que acabou aprovando o fim das queimadas, para o final de 2009. No Estado vai até 2016.
Os fatos até aqui, já nos dão um bom aperitivo do que vem pela frente. A campanha já está quase começando e à população cabe distinguir quem está do lado de quem. Àqueles que bradavam estar ao lado do povo, mas legislavam para os usineiros, o troco deve vir nas Urnas. E diferentemente do que aconteceu lá em cima, parece que os caraminguás pra campanha podem vir depois.
Fechando a conta dos interesses e do alinhamento político, outros dois fatos vieram carimbar esta reflexão: No dia primeiro deste mês o maior produtor de cana e futuro usineiro de Dourados saiu do PTB e se filiou no PMDB e no dia 05, sem conseguir partido que o acolhesse, outro Vereador alinhado com os usineiros acabou indo mesmo para o PMDB. * Coordenador de Formação Política e Movimentos Sociais DCE-UFGD/Acadêmico do 4ºano do curso de Geografia Bacharelado/pesquisador bolsista do CNPq 2005-2005-2007/membro do Grupo de Estudos em Desenvolvimento Regional e Infra-Estruturas – GEDRI – UNESP, Grupo de Estudos sobre Território e Reprodução Social (TERRHA) – UFGD/ atua nas seguintes pesquisas: Desenvolvimento Regional/ Infra-Estrutura, Comércio e Serviços na Produção do Espaço Regional/ ex-secretário de formação política do CA de matemática gestão 2003/ex-coordenador de formação política do Diretório Setorial dos Estudantes UFMS-CPDO gestão 2003-2004/. E-mail: [email protected].
Fonte: Folha de Dourados



