Lula admite paralisação das obras do PAC
Política – 27/10/2007
Depois de mais de duas horas de reunião com a diretoria da Petrobras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que as obras da estatal no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão comprometidas pela falta de capacidade dos fornecedores. Sob pena de comprometer o cronograma dos trabalhos em mais do que o dobro do tempo, o governo deve desembolsar bem mais do que o previsto no programa: Lula quer liberar crédito para as empresas fornecedoras de equipamentos e insumos à Petrobras.”Todos esses problemas vão fazer com que, a partir da próxima semana, a gente passe a fazer reuniões entre a Petrobras e esses principais fornecedores de peças que estão em escassez no mercado”, informou o presidente, ao anunciar a concessão de crédito como uma medida concreta para destravar as obras: “A idéia é que a gente possa anunciar programas do governo com financiamento para que essas empresas possam aumentar sua capacidade produtiva e atender a uma demanda brasileira e a uma demanda mundial, que é cada vez mais crescente”.A lista de obras da Petrobras no PAC inclui, além da construção de plataformas e petroleiros, a instalação de gasodutos.”Muitos fornecedores da Petrobras que antes podiam atender em 90 dias, em 100 dias, em 170 dias, que era um prazo que eles assumiam para atender às compras e às necessidades da Petrobras, hoje estão passando para 400 dias”, exemplificou Lula. “É porque a capacidade instalada dessas empresas se exauriu, e elas obviamente vão precisar aumentar ou construir uma nova fábrica”.De acordo com o o presidente, uma obra que duraria um máximo de dois anos, vai passar a durar três ou quatro anos. Outro obstáculo para o andamento do PAC da Petrobras, diz Lula, é a burocracia.”Nós temos problemas muitas vezes que envolvem o Tribunal de Contas da União. Só para vocês terem idéia: nós temos um gasoduto ligando Campinas, em São Paulo, ao Rio de Janeiro. Faltam apenas 600 metros para a gente concluir, e tem um cidadão que é dono de uma propriedade, que sentou em cima da propriedade e está pedindo 20 vezes o que vale o terreno dele, e isso está na Justiça”, citou.
Fonte: Folha de Dourados



