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Radar – 05/11/2007

Piu-piu, eleição já vem ai!
O movimento mineiro-douradense “o trem é nosso!”, ninguém pode negar, é inteligentíssimo. Trata-se de uma bandeira que ninguém pode ser contra, sob o risco de ser considerado “língua preta” e anti-douradense, é um projeto que mobiliza a  sociedade, dá visibilidade para quem está no comando, terá apoio governamental para toda infra-estrutura que exigir a mobilização e, ao mesmo tempo, é um projeto que não tem nenhuma obrigação de dar certo a curto ou médio prazo (entenda-se antes de outubro do ano que vem), portanto, ninguém vai poder cobrar de ninguém a sua execução. É de tirar o chapéu.
 
Trem a gás
Gente maldosa já está dizendo por ai que o trem da ferrovia Dourados-Guaíra vai ser movido a gás, e que vai funcionar com o gás que chegará através do gasoduto a ser construído ao lado dos trilhos – para aproveitar o traçado! A explicação dos maldosos é que depois de se fazer muito barulho para a construção de um ramal do gasoduto para Dourados, quando a coisa estava para andar, descobriu-se que ninguém queria comprar gás por essas bandas.
 
Mas faz sentido…
É que pregar os postes no chão do MS até o PR vai custar nada menos que 420 milhões de dólares, segundo divulgado pelos idealizadores. Em real isso chega perto de um bilhão, é dinheiro que não acaba mais. Para se ter uma idéia, todo o recurso do PAC no MS – que vai realizar grandes obras nas cinco maiores cidades do estado – ficará em torno de R$ 400 milhões, menos da metade do que se pretende gastar com a ferrovia.
 
Futuro…
Mato Grosso do Sul não tem, hoje, produção que justifique o funcionamento da ferrovia. O que os vagões transportariam na entre safra da soja e durante os embargos à carne do estado por causa da aftosa? E não vale dizer que a ferrovia vai atrair indústrias, que vão produzir e que vão utiliza-la. O capitalismo tem uma lógica inversa: primeiro garante-se o lucro depois viabiliza-se os investimentos. É bom que o douradense saiba que a Ferroeste fará inicialmente um estudo de viabilidade do ramal (aliás, um de cinco estudos de viabilidade programados pela empresa para 2008), isso é só a sementinha do projeto. Depois ainda vem aquela parte chata de sair pedindo dinheiro. A ferrovia é um grande projeto de transporte, contudo, só se concretizará em um futuro um tanto distante para Dourados.
 
Até porque…
Conforme noticiou o site oficial do Governo do Paraná, a prioridade da Ferroeste até 2011 é a construção do trecho ferroviário entre Cascavel e Campo Mourão, que está previsto para os anos de 2010 e 2011.
 
Não seria melhor…
E mais barato Dourados e região retomar a idéia de escoar a produção através do porto de Concepcion (PY)? O porto já está lá, fica perto de Dourados e não precisa construir nada. Associado ao projeto de Porto Seco, Concepcion se tornaria a nossa saída para o Atlântico. Aliás, o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, esteve na última sexta-feira (26) em Brasília, buscando recursos do Bird para construção de três novos portos no rio Paraná.
 
Silêncio
O silêncio de quase todos os citados no “caderninho de Salete” é de estranhar. Só o senador Delcidio do Amaral veio a público repudiar o aparecimento de seu nome na lista de supostos recebedores de propina. Parece até que estão ensaiando um discurso unificado para explicar o que já está ficando inexplicável.
 
Mary Corner
Segundo a Lei de Murfy, se alguma coisa pode piorar, então com certeza vai piorar. Não duvido nada se antes do Natal a tal Mary Corner (aquela senhora generosa de Brasília), não abrir seu caderninho de clientes e botar a boca no trombone. Ai vai ser um Deus nos acuda mesmo. Afinal, como diria o corinthiano, desgraça pouca é bobagem.
 
Em tempo:
 
Alguém lembra do Projeto Pantanal, que ficou na mídia do Governo anterior por mito tempo? Pois se por aqui o Projeto Pantanal foi por água baixo (com perdão do trocadilho), no outro Mato Grosso os recursos do PAC aumentaram de R$ 71 milhões para R$ 124 milhões o investimento na preservação desse santuário ecológico.

Fonte: Folha de Dourados

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