Bope abandonará uniforme preto e terá mulheres em 2008
Novas Regras – 11/11/2007
O Bope abandonará um componente de sua mística, o uniforme preto, em nome da segurança. Outra mudança, também prevista para 2008, será a inclusão de mulheres na tropa. Serão duas inovações radicais para a unidade, criada em 1978, e onde até hoje nenhuma mulher conseguiu completar o treinamento com os homens. A farda negra, que rendeu fama ao Bope, ‘faz silhueta’ em ações noturnas em favela, o que pode significar a morte para o soldado. Deve dar lugar à cor acinzentada, com ‘camuflado digital’, semelhante à da Força Nacional de Segurança. O comandante do Bope, tenente-coronel Pinheiro Neto, confirmou à Folha que há um estudo para escolher o melhor uniforme para a tropa. Em ações do complexo do Alemão, o Bope chegou a usar o uniforme da Força Nacional e o Caveirão, mas como estratégia para confundir os criminosos. O cabo PM Cyro, da área de instrução do Bope, explicou que à noite, após os olhos se acostumarem à escuridão, é possível identificar o vulto de preto. ‘É mais difícil perceber alguém com farda de camuflado digitalizado’, comparou. Só o Grupo de Resgate de Reféns continua com a cor escura. ‘O preto aumenta a dimensão do policial e aparenta maior número, o que é fator psicológico negativo para o oponente’, disse Pinheiro Neto. As primeiras mulheres da tropa de elite da PM do Rio devem entrar no segundo semestre de 2008. As voluntárias a atuar em operações táticas e especiais do batalhão passarão por treinamento rigoroso em um curso específico para elas. Embora o currículo e as atividades sejam os mesmos dos homens, haverá adaptações na parte de esforço físico. ‘Houve mulheres que iniciaram o curso geral, mas nenhuma o concluiu’, diz o comandante. Em 2006, o delegado Marcos Ferreira, da Polícia Federal, fez considerações negativas sobre a presença de mulheres em unidades especiais. ‘É bom ter [mulher] na equipe para ter alguém para cozinhar para a gente’, afirmou ele a jornalistas, em tom meio sério meio de brincadeira. ‘Em outra ocasião, precisamos de uma fêmea para uma operação e não havia. A policial que foi não estava preparada’, continuou.
Fonte: Folha de Dourados



