Do que os produtores rurais precisam
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Artigo – 19/11/2007
Com algum atraso, em virtude da demora no inicio das chuvas, a safra de verão está praticamente plantada e agora um bom resultado depende não apenas de boas chuvas, mas principalmente de uma boa valorização de nossa moeda, o Real.
Não está nada fácil para os agricultores continuarem plantando; parece que estão sempre nadando contra a correnteza. O preço da soja – o milho e trigo também – anda pelas nuvens no mercado internacional, mas quanto mais sobe lá fora, mais baixa aqui dentro o dólar – moeda com que os agricultores recebem pelas exportações.
O preço do adubo – elemento indispensável para se fazer uma boa lavoura – triplicou nos últimos dois anos. Essa alta veio para ficar já que existe uma grande demanda mundial por Fósforo e Potássio, e o próprio Nitrogênio depende do petróleo que também anda com seus preços triplicados.
A APROSOJA (Associação dos Produtores de Soja) fez uma pesquisa comparativa entre os preços dos insumos agrícolas praticados em dólar na Argentina, com os preços praticados aqui no Brasil e mostra que enquanto na Argentina os produtores pagam pelo litro de diesel US$0,50 aqui nós pagamos US$1,10. Enquanto na Argentina os agricultores pagam US$30 pelo litro do herbicida Clorimuron (a mesma empresa que fabrica e vende na Argentina, fabrica e manda também para o Brasil) aqui, esse produto é vendido a US$130. Outro produto indispensável para as lavouras de soja, o Glifosato, aqui no Brasil ele custa o dobro do que custa na Argentina; aqui US$5,00/litro e lá US$2,45/litro. Interessante ressaltar que 70% do mercado desse produto pertence a uma única empresa multinacional.
O mercado dos agrotóxicos no Brasil, a quase totalidade dele (92%), está nas mãos de apenas uma dezena de empresas, enquanto na Argentina são mais de uma centena de empresas mexendo com isso. Como se vê, lá há mais concorrentes que geram uma maior disputa.
No Brasil, segundo o levantamento da APROSOJA, para uma empresa lançar um produto genérico no mercado – ou mesmo um produto novo – demora em média sete anos, sendo que somente o pedido, permanece na fila de espera para entrar na análise técnica das áreas governamentais em média dois anos e meio, segundo Luiz Eduardo Rangel, técnico de um dos Ministérios. Na Argentina, quando muito na metade desse tempo, já está no mercado.
O governo brasileiro permite a importação de arroz e trigo argentinos, mas não permite a importação de agrotóxicos, até pelo contrário, pressionado pelos poucos representantes dessa indústria de produtos de agrotóxicos, exerce forte pressão para uma maior fiscalização policial, mais do que em outros ramos de atividade, tudo para coibir qualquer contrabando nesse setor.
Claro, todos nós sabemos que qualquer contrabando, além de ilegal, traz grandes prejuízos ao país, mas o contrabando de agrotóxicos está acontecendo por culpa do governo, e não porque ele não fiscaliza, mas porque lhe falta boa vontade em dinamizar a aprovação de produtos genéricos, ou então, abrir a importação desses produtos por mais empresas. Seria por aí o caminho, não só para evitar o contrabando, mas principalmente para baixar os preços dos agrotóxicos e distribuir parte desses fantásticos lucros dessas multinacionais entre todos os produtores rurais deste país. Desse tipo de ajuda o agricultor anda precisando demais do governo para esta safra.
Waldir Guerra – Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. ([email protected]/)
Fonte: Folha de Dourados



