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Reminiscências de um carteiro de Minas

Laquicho – 26/11/2007

Mas o forte de Laquicho não era ser carreiro. Seus filhos eram mais dados para o negócio. Conta-se inclusive que
“…um dos filhos dele trabalhava com carreta, o Rauzinho… E ele foi pra Campo Grande, aqui na Ponte do Santa Maria, ele levava uma carga…quebrou muito a vida dele… ele, no aterro aí da ponte do Santa Maria, a carreta virou, o rio tava cheio, a vazante tava tudo cheio, a carreta virou dentro… perdeu toda a carga que levava, era erva, não é? Então foi um fracasso, mas nunca desanimou, sempre naquele ânimo, perdeu aquela vamos ganhar outra, não é? (João Palhano)
 
Na verdade, ir a Campo Grande carreando ou seguindo a comitiva a cavalo era prática normal dentre os pioneiros douradenses. Albino Moraes Sobrinho, um de nossos entrevistados, contou-nos que ele e seu irmão tinham ido de carreta a Campo Grande, levar erva. Na ida, foi tudo bem; o rio estava seco e eles passaram pela val tranqüilamente. Na volta, entretanto, o rio estava cheio e eles largaram a carreta e atravessaram de canoa. Pousaram na fazenda do finado Leucádio Ramasco. A fazenda do Sr. Leocádio fazia divisa com a do Dr. Camilo, onde o Laquicho morara durante oito anos, quando seu filho, o Tonho, fora capataz. Pois bem, quando os irmãos estavam na divisa das duas fazendas, encontraram o Laquicho.
“- Andando a pé?
“- É, seu Laquicho, larguei a carreta do outro lado do rio, tava muito cheio.
“- Ah! isso pra rapaz não é nada. Eu, quando era rapaz lá em Minas, eu fazia o correio, carregava trinta quilos nas costas, a pé, fazia cento e cinqüenta, cento e oitenta quilômetros por dia.” (Albino Moraes Sobrinho)

Fonte: Folha de Dourados

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