Reféns de rebelião foram abandonados pelo Estado
Seis agentes penitenciários e uma enfermeira pagam do próprio bolso tratamento psicológico
Descaso – 26/11/2007
Há exatos 19 meses sete servidores públicos estaduais, sendo seis agentes do sistema penitenciário e uma enfermeira, eram feitos reféns por lideres da facção criminosa paulista, o PCC (Primeiro Comando da Capital), na maior rebelião da história prisional de Dourados, por mais de 30 horas. Para se recuperarem do trauma, esses funcionários estão arcando com todas as despesas do tratamento psicológico, porque o Estado, tanto o Governo anterior quanto o atual, não está oferecendo tratamento aos funcionários. A época, o então Secretário de Justiça e Segurança Pública, Ralfi Jacound Marques, havia prometido dar toda assistência aos reféns.
A rebelião provocada na Phac (Penitenciária Harry Amorim Costa), e também em Corumbá, Três Lagoas, e Campo Grande pelos integrantes da facção criminosa do PCC, teve seu início às 12 horas do dia 14 de maio, dia das mães, em solidariedade a uma manifestação que começou a ser desencadeada dois dias antes em São Paulo, e mobilizou todos os segmentos da Segurança Pública em torno da penitenciária douradense.
Em Campo Grande um interno foi morto, queimado e teve a cabeça decapitada pelos “colegas” e entregue à um dos agentes penitenciários, e este foi obrigado a mostrar do alto de uma das torres, o macabro “troféu” durante a rebelião. O servidor segundo apurou a reportagem até hoje passa por problemas psiquiátricos e inclusive chegou até a tentar se matar por causa da dura missão que lhe foi imposta pelos rebelados do EPSM (Estabelecimento Penal de Segurança Máxima) da capital.
A reportagem apurou que após serem libertados depois de passarem por mais de 30 horas no interior da Phac nas mãos dos mais de mil detentos rebelados, amarrados a botijões de gás e com armas artesanais constantemente apontados em seus corpos e na região do pescoço e com inúmeras ameaças de serem mortos caso a PM (Polícia Militar) invadisse o complexo, os servidores foram levados pela Sejusp somente uma vez para a Clínica Santa Rita, que fica situada à rua Abrão Júlio Rahe, n.º 44, em Campo Grande, para serem submetidos a avaliações psicológicas que até a data atual é realizada pelo médico psiquiátrico Juberty Antônio de Souza, CRM/MS 996, que os atendem através de convênio médico.
Vaquinha – Com o total abandono por parte do Governo do Estado, a reportagem apurou que os agentes penitenciários, Ramão Benites, o primeiro refém liberado pelos detentos, Machado, Kelvin, Motta, Nilton, Genivaldo, e Oliveira, fazem “vaquinhas” para abastecer os veículos e outros custeios das inúmeras viagens que já fizeram até a clínica em Campo Grande para passar por sessões psiquiátricas.
Com relação à enfermeira Neusa Marques de Oliveira, que foi a última ser libertada e com a incumbência de entregar uma “granada” que estava de posse de um dos amotinados para a Polícia Militar que havia negociado a rendição deles, a reportagem apurou que ela desde então vêm dependendo de ajuda de familiares e de amigos, e de veículos da Prefeitura Municipal para chegar até a clínica para se tratar, e também para adquirir os medicamentos ministrados pelo psiquiatra.
Por outro lado, vale ressaltar que horas depois da liberação dos reféns, eles receberam uma única vez a visita de uma mulher de nome “Zelândia”, que se apresentou a mídia douradense como sendo assistente social e que ela estaria naquela oportunidade se comprometendo a dar todo o apoio para eles, entretanto, esta nunca mais apareceu.
Independente das promessas feitas pelo então secretário Raufi Marques em dar total apoio os servidores, a verdade é que mesmo com a troca de comando na Sejusp, que no governo André Púccinelli é comandada atualmente pelo delegado Federal Wantuir Brasil Jacini, eles continuam abandonados e dependendo somente deles para prosseguirem em seus tratamentos visando por fim o trauma que passaram nas mãos dos rebelados e voltar a ter uma vida normal com seus familiares e principalmente no retorno as suas funções.
Fonte: Folha de Dourados



