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Barbeiros resistem ao tempo em Dourados

Sobrevivência – 26/11/2007

Ir ao barbeiro pode soar antigo para a maioria da pessoas, habituadas a freqüentarem “cabeleireiros” ou “coiffeur”. E é antigo mesmo. Para sobreviver aos novos tempos esses profissionais contam com a fidelidade de antigos clientes, mais raros a cada ano. Dois desses “heróis da resistência” os barbeiros João Francisco Palhano, 54, casado, pai de seis filhos, e Luiz Sampaio, 57, também casado e pai de filhos, foram ouvidos pela folha de dourados e contaram um pouco da nostalgia de serem barbeiros.
 
Os amigos se iniciaram na profissão em 1971 e, segundo eles, ainda conservam clientes que há mais de 20 anos não trocam suas tesouras pelas de nenhum cabeleireiro. Eles garantem que ainda conseguem o sustento da família da atividade.
 
De família pobre e com mais dois irmãos, João Francisco, paranaense de Laranjeira do Sul,  nem chegou a conhecer o pai, que morreu, e conta que a mãe, por não ter condições de criá-los na roça, os mandou para a cidade em 1969 os três passaram a morar com Georgina Rosa de Matos, mãe de dois filhos barbeiros e justamente quem o incentivou a aprender também a profissão. “Tenho nessa senhora uma vovó, minha segunda mãe”, diz João Francisco lembrando que a sua verdadeira faleceu há cerca de três anos.
 
Para aprender a profissão, João Francisco conta que cortava de “graça” os cabelo de engraxates e de filhos de amigos, até que em 1.971 arrumou vaga no salão de Valdir Becari também como aprendiz, e com ele ficou por cinco anos.
 
Com o 3º ano primário, João Francisco diz que após aprender a profissão decidiu vir para o Mato Grosso do Sul e, hoje, 20 anos depois, mantém uma freguesia fiel, inclusive muitos deles desde quando aqui se instalou. “Não importo com a concorrência, o importante é que mantenho meus clientes e ganho outros a cada ano que passo”, diz o barbeiro afirmando que sempre acompanhou a evolução e a modernidade dos cortes.
 
João Francisco diz também que quando iniciou usava as máquinas manuais e pentes para os cabelos e as navalhas de fios fixos para fazer as barbas de seus clientes, porém, com o tempo surgiram as tesouras, escovas e secador para os cabelos, e para a barba, as navalhas com laminas giletes descartáveis. “Hoje tudo é mais prático e mais higiênico, inclusive, quando comecei na profissão, shampoo não existia”, finaliza João Francisco que faz questão de dizer que é barbeiro e não cabeleireiro.     
 
Outro lado – Já a história de Luiz Sampaio é bem diferente de João Francisco. Natural de Quixadá, no Ceará, Luiz Sampaio começou na profissão também em 1.971 e de lá para cá buscou sempre estar atualizado com a moda dos cortes e perfil de barcas de seus clientes. Com diversos cursos de reciclagens, “inclusive um deles feito em Campo Grande com a equipe da Loreal de Paris”, destaca, e outros tantos, com os mais renomados cabeleireiros de São Paulo. Hoje, Luiz Sampaio se considera um cabeleireiro profissional, embora não se importe de ainda ser chamado de barbeiro.
Para ele, assim como seu parceiro de trabalho, é manter sua cliente satisfeita com os seus cortes tanto de cabelos como barbas. “É engraçado, a convivência com meus clientes é tão salutar, que muitos deles são mais amigos do que propriamente clientes”, diz Luiz Sampaio feliz pela profissão que escolheu para si.
 
Dizendo que jamais se importou com concorrência e com os surgimentos de grandes salões de cabeleireiros, Luiz Sampaio afirma que somente cresceu na profissão por entender que estar sempre atualizado é o que mantém em franca atividade. “Assim como o João Francisco, tenho uma cliente de mais de 15 anos em Dourados e nos últimos anos muitos jovens” também diz o então barbeiro, que trabalha no Salão Fortaleza, que fica situado nos altos da Cabeceira Alegre, em frente ao Restaurante Chalana.
 
“Uma coisa é certa. Quem vir até aqui para ser atendido por mim ou pelo João Francisco sairá de cabeça feita, com cortes e barbas bem feitas”, finalizou Luiz Sampaio lembrando que inicialmente aprendeu a profissão olhando os outros barbeiros da época e que hoje se sente realizado por estar sempre mantendo seus compromissos profissionais e com a família, com seus instrumentos de trabalho que é a tesoura, a máquina de corte elétrica, a navalha entre outros.

Fonte: Folha de Dourados

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