Brasil pode estar às portas de um apagão de logística
Rural – 28/11/2007
Nos próximos anos, o Brasil pode sofrer um apagão da logística ou umacrise de abundância é o que visiona a assessora e engenheira econômica daCompanhia Nacional de Abastecimento (Conab), Denise Deckers, durante o IXSeminário Nacional de Milho Safrinha, que acontece em Dourados-MS.Os dados apresentados pela especialista evidenciam esta possibilidade. Ocadastro da Conab registra a produção de 123,3 milhões de toneladas degrãos, distribuídas em 16.557 unidades, onde 78% estão em armazénsgraneleiros e os demais, em convencionais. Entretanto, a estimativa desafra 2007/2008 da Companhia marca 135,5 milhões de toneladas, apontandouma defasagem de 9%, além disso, os números demonstram uma incoerênciaquanto à localização das unidades, “que não acompanharam a evolução dafronteira agrícola”, lamenta. “Apesar do volume produzido no campoimpulsionar a economia nacional, ele pode levar o país a umestrangulamento de armazenagem e escoamento”, alerta Denise Deckers.Os principais centros de armazenagem estão localizados nas regiões Sul,Centro-Oeste e Sudeste, concentrando 92% da capacidade total cadastrada,com déficit de armazéns na casa de 13% para a região Sul e 5,5%,Centro-Oeste. O saldo positivo do Sudeste, 25,1%, não deve ser consideradoum caso de sucesso, já que, no estado de São Paulo, por exemplo, ascondições de armazenagem são precárias e convencionais.Outro fator que colabora com este cenário é a localização das unidades,ainda concentradas na zona urbana, com 47%, mas com fortes migrações paraa rural, devido às legislações ambientais. Desta forma, por meio deprogramas do Governo Federal, os produtores são incentivados, com linhasde financiamento, a construírem armazéns em suas propriedades. Para oagricultor, de acordo com Denise, só há vantagens, como possibilidade deespera pela melhor época para comercialização, diminuição do impacto dos
custos de frete e redução da concorrência existente na zona urbana. Para opaís, a fixação do homem no campo é solidificada.Sistema de Certificação – buscando amenizar esses fatores, foi aprovada einstituída a Lei no 9.973/2000, na qual, a partir de janeiro de 2009, seráimplantado o Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras,coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, queterá como objetivo fortalecer a relação do setor armazenador com oprodutivo e a sociedade, aumentando o profissionalismo e reduzindo perdas,“ou seja, não poderá haver mais armazém sem acompanhamento, registro ecertificação. Será um programa de qualificação”, explica.Transporte – porém, as possíveis mudanças previstas pelo sistema decertificação podem não surtir efeito, caso o Brasil não altere sua matrizde transporte de grãos, predominantemente rodoviária (97%), modeloaconselhado, segundo técnicos, para distâncias inferiores a 500 km. Nopaís, a distância média do porto varia entre 1.000 e 1.500 km e somente 2%da produção nacional é escoada em hidrovias.“O frete hidroviário é 58% mais barato que o rodoviário. Esse, além deoneroso, causa o esgotamento das malhas, já com problemas em 73,9% delas,com riscos altíssimos de perdas de safra e prejuízos para oscaminhoneiros, expostos a condições subumanas de trabalho”. Para minimizaresta perspectiva é preciso “utilizar corredores estratégicos emultimodais. Não é uma teoria nova, mas infelizmente ainda não foicolocada em prática”, reforça a engenheira.As sugestões para interromper esta tendência de apagão logístico,fornecidas por Denise, são: ampliação da capacidade estática em 20% acimada produção, no mínimo; flexibilização dos recursos do Programa deIncentivo à Irrigação e à Armazenagem; incentivo na competitividadeinternacional e inter-regional; barateamento dos custos de transporte,
passando, fundamentalmente, pela alteração da matriz; utilização dehidrovias e ferrovias, maximizando a multimodalidade; melhor planejamentodo transporte e maior integração entre as instituições governamentais eentidades de classes.Seminário – O IX Seminário Nacional de Milho Safrinha é uma promoção daAssociação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS), com realização da EmbrapaAgropecuária Oeste, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária- Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária eAbastecimento e tem a parceria da Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD), Associação de Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados (AEAGRAN),Grupo Plantio na Palha (GPP), Sindicato Rural da cidade e Embrapa Milho e Sorgo, com apoio de diversas empresas de sementes e outras instituições. Mais informações: (67) 3425-5122 e www.cpao.embrapa.br/milhosafrinha .
Fonte: Folha de Dourados



