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Festa do cabide à moda antiga

Laquicho – 03/12/2007

Quando deixava a empreitada e vinha para a casa dos parentes, Laquicho, ainda solteiro, ao que parece, deu pelo menos uma varada de cerca, tanto no sentido figurado quanto literal.
Não se sabe bem o porquê do inspetor de quarteirão ter proibido festas em Dourados. Os moços não agüentaram e, apesar do medo da cadeia, ou melhor, do tronco (naquele tempo não havia cadeia), resolveram fazer um baile no mato, escondido. Laquicho arrumou alguns companheiros e juntos fizeram um belo terreiro no mato. Para evitar suspeitas, não convidaram moças de família, somente umas moças de vida fácil, como se dizia na época.
Cada um que chegava pendurava a roupa no cabide, quer dizer, num galho qualquer, e todo mundo dançava pelado, inclusive o Laquicho. Ninguém estava preocupado com a polícia, pois naquele tempo
“….quando precisava deles… [dos policiais] eles não tinham carro… precisava arrumar um cavalo, pra eles ir a cavalo fazer a diligência. Não havia … essa aparelhagem que tem hoje pra tudo.(…) Fazia uma festa, se dependia da polícia…falava com o delegado e ele falava: o senhor arruma o cavalo… e trazia o cavalo e ele mandava a polícia.” (Crispin Fernandes)
 
Mas naquele baile do cabide, quer dizer, dos galhos, não se sabe por que, a polícia deu o flagrante. Quando a polícia fechou, o Laquicho saiu quebrando o mato no peito, relustrando cipó. Lá adiante havia uma cerca de arame; ele cruzou-a por baixo. Quando cruzou, logo sentiu uma fisgada nas costas. Pensou: “Barbaridade, rasguei o paletó”.
Mas isso não foi nada, e o Laquicho continuou a correr. O clarão da lua não foi suficiente para guiar seu caminho e ele acabou caindo num buraco, aliás, um velho poço abandonado.
Agora sim!
Por sorte, o dia logo amanheceu. Por volta de nove horas, Laquicho avistou uma preta velha caminhando. Ele fez sinal, deu um assobio, e ela veio. Prosa vai, prosa vem, ela jogou uma corda e salvou o Laquicho.(Jenoel Capilé)

Fonte: Folha de Dourados

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