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Condepe pede investigação sobre morte de lutador

Ryan Gracie – 17/12/2007

Representantes do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana) devem solicitar nesta segunda-feira ao secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, uma investigação, pela Delegacia Geral de Polícia, sobre a morte do lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie, 33. Ele foi encontrado morto na manhã de sábado (15) em uma cela do 91º Distrito Policial, na Vila Leopoldina (zona oeste de São Paulo).
Integrante da família precursora do jiu-jitsu no Brasil, Gracie havia sido preso na tarde da última sexta e indiciado por roubo e tentativa de roubo no 15º DP (Itaim Bibi). No mesmo dia, passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e, na madrugada de sábado foi levado ao 91º DP –onde fica a carceragem provisória para os detidos durante a noite, finais de semana e feriados.
Acionado pela família, o médico psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, 56, acompanhou o lutador e providenciou um exame de urina, que apontou a presença de drogas cocaína, maconha e medicamentos –a dependência química seria usada pela defesa do lutador. Durante a madrugada de sábado, já na delegacia, o médico disse ter ministrado ao menos seis tipos de medicamentos ao lutador –tranqüilizantes, antipsicóticos e contra hipertensão. Gracie, que estava sozinho na cela, foi encontrado morto por volta das 8h.
O Condepe questionou o procedimento da polícia de permitir que um médico acompanhasse o lutador nas dependências da delegacia. A família de Gracie diz que vai processar o médico e o Estado pela morte.
Em ofícios que também deverão ser encaminhados à Ouvidoria da Polícia e ao Ministério Público, o Condepe quer que os órgãos apurem “a conduta dos policiais do 15º DP, do 91º DP e do Instituto Médico Legal” pelo fato de o lutador não ter sido levado a um pronto-socorro, “já que o detento tinha sofrido pancadas na cabeça e estava sob o efeito de drogas, segundo as informações dos familiares, do médico que o atendeu na cela do 91º DP e de policiais”.
Um laudo sobre as causas da morte deve ficar pronto em 30 dias. Umas das hipóteses dos médicos é de parada cardiorrespiratória por overdose de cocaína. A polícia também deve investigar se o uso de drogas, aliado aos medicamentos, pode ter causado a morte.
Processo – O corpo do lutador foi enterrado domingo (16) no cemitério São João Batista, no Rio. Flávia, irmã de Gracie, e seu pai, Robson, acusaram o médico pela morte. Segundo a família, o médico teria sugerido o pagamento de propina a policiais para que Ryan fosse bem tratado na delegacia.
“O doutor Sabino é um louco, desequilibrado e assassino. Eu disse para ele parar de dar remédio ao meu irmão. Ele falou que era para evitar que o Ryan ficasse alterado na delegacia. Argumentei que tranqüilizante demais faz mal e o doutor respondeu que todo remédio faz mal, até aspirina”, disse Flávia. Farias Neto nega que o coquetel de remédios tenha sido o responsável pela morte.
Segundo ela, Farias Neto aplicou doses altas de tranqüilizantes e remédios para pressão. Ela afirmou que o médico cobrou R$ 5.000 por um laudo para atestar que Ryan precisava ser transferido para um hospital e que, enquanto isso não ocorresse, a família teria que subornar toda a delegacia para que Ryan fosse bem tratado.
“Ryan, embora doente, errou, tinha de ser preso e pagar pelos crimes. Mas sua morte é outra coisa. Vou processar o canalha do médico”, disse o pai do lutador.
Outro lado – O psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto nega que o coquetel de medicamentos indicado por ele tenha sido responsável pela morte do lutador. “Como me disse um colega, a dose que apliquei foi de passarinho. Tenho o maior pesar pelo que ocorreu, mas eu lutei contra isso com tudo o que sei.”
Segundo ele, foram aplicados três comprimidos de Dienpax, dois de Topamax, um de Capoten e outro de Leponex, além de duas ampolas de Fenergan e outras três de Haldol.
Farias Neto afirma que entende a dor da família ao anunciar que pretende processá-lo. “É um direito de qualquer um. Compreendo e respeito a atitude emocional vivida por eles neste momento.”
Ele, no entanto, refuta que tenha feito proposta de pagar propina a policiais de diferentes esferas para que Gracie tivesse tratamento privilegiado na delegacia. Segundo ele, os R$ 5.000 (R$ 3.000 em dinheiro e R$ 2.000 em cheque), pagos pela namorada do lutador, são referentes aos seus serviços médicos. “Só para me locomover de Atibaia a São Paulo são mais de duas horas.”

Fonte: Folha Online

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