O renascimento africano
Reportagem – 17/12/2007
Miséria, genocídio, estupros em massa, descaso, meninos-soldados. Todas as tragédias que se transformaram em sinônimo de África continuam lá, mas boas notícias vêm surgindo em diferentes cantos do continente. Elas revelam uma nova e pouco conhecida faceta africana, que está animando de ativistas políticos a grandes empresários. Depois de cair no limbo após a Guerra Fria, o continente começa a atrair investimentos externos – boa parte bancados pela China -, aproveitando a alta nos preços de commodities, como petróleo e minérios, abundantes em muitas nações africanas. Relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) confirma que a África está desfrutando de seu melhor período de expansão econômica sustentável desde o fim do período colonial, há quatro décadas. O crescimento médio do continente foi de 6,1% este ano – maior do que o da América Latina, de 5,2% -, com previsão de 7% para 2008. “Nos 25 anos em que trabalho na África, nunca estive tão otimista”, disse o americano John Prendergast, ex-conselheiro do governo dos EUA e diretor do projeto Enough (Basta), que luta contra o genocídio no Sudão. Algumas nações africanas estão entre as que mais cresceram no planeta. Um exemplo é Angola, cuja expansão de 23% do PIB em 2007 só ficou atrás do Azerbaijão (31%). Na capital angolana, Luanda, os hotéis estão sempre lotados, em qualquer época do ano, mesmo com diárias de US$ 200, incompatíveis com os padrões africanos. São executivos de grandes petrolíferas que estão investindo bilhões de dólares no país. O lucro obtido com as exportações é o motor do processo de reconstrução angolano, cinco anos após o fim da guerra civil que matou 500 mil pessoas e arrasou a infra-estrutura local.O drama do continente africano é que poucos dos outros 52 países vivem o mesmo desenvolvimento de Angola e a distribuição de recursos naturais e de problemas é absolutamente desigual. Na República Democrática do Congo, por exemplo, os mesmos componentes que mantêm o leste do país atolado numa guerra que já deixou 4 milhões de mortos nos últimos onze anos – rivalidade étnica e interesses divergentes de países vizinhos – impedem que preocupações básicas, como saúde e educação, cheguem à mesa de discussão do governo.A prioridade ali é encontrar uma fórmula para coibir milícias armadas de cometer estupros, seqüestrar crianças e obrigar milhares a fugir de suas casas, além de livrar o terreno das minas terrestres. Angola e Congo simbolizam, assim, os dois extremos da África atual.PETROD



