Mortes em confronto com a polícia sobem 20,7%
Rio – 31/12/2007
Mortes em confronto com a polícia sobem 20,7%
O índice de pessoas mortas em confrontos com policiais civis e militares aumentou 20,7% entre janeiro e novembro deste ano na comparação com o mesmo período de 2006, no Rio de Janeiro. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Estado, o número de vítimas fatais subiu de 982 para 1.186 nos chamados autos de resistência. A área mais afetada pelo problema foi o complexo de favelas do Alemão, na zona norte da capital fluminense.
Os intensos tiroteios no Alemão começaram em maio, quando suspeitos de matar dois policiais militares passaram a ser procurados. A constante presença de PMs, policiais civis e agentes da Força Nacional de Segurança Pública, que vieram reforçar o patrulhamento da cidade por causa dos Jogos Pan-Americanos, deixou mais de 70 mortos e 100 feridos na região. Muitos atingidos foram vítimas de bala perdida.
Segundo o presidente da Associação de Moradores da Vila Cruzeiro, favela que pertence ao complexo do Alemão, Luiz Cláudio Santos, mais de 1 mil famílias deixaram a comunidade em 2007 com medo dos tiroteios. “Eu espero que 2008 seja menos traumatizante. Tivemos um ano de terror com muitos mortos e ações truculentas da polícia. Não somos contra as operações, mas elas precisam ser melhor elaboradas”, destacou.
As ações também foram criticadas por alguns policiais ao longo de 2007. De acordo com o diretor do Sindicato dos Policiais Civis, Mário Picolo, a chamada política do confronto adotada pelo governo fluminense precisa sofrer alterações para que não haja mais mortes no ano que vem. “Infelizmente, a polícia está mostrando força, mas sem o menor serviço de inteligência”, afirmou.
Já o comandante do batalhão responsável pela área do complexo do Alemão, tenente-coronel Marcus Jardim, defende incursões praticamente diárias nas favelas da região e prevê mais confrontos em 2008. “O nosso objetivo é atacar o tráfico de drogas. Enquanto os criminosos resistirem, vamos trocar tiros”, disse.
Mas entre os mortos e feridos no complexo do Alemão, este ano, há vários policiais. Um dos casos que mais recentes foi o do agente Eduardo Mattos, 35 anos, da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core). Ele estava em um helicóptero sobrevoando o morro do Adeus, no bairro de Ramos, e acabou sendo atingido por um tiro na cabeça, durante uma operação para reprimir o tráfico de drogas.
Fonte: Redação Terra



