Férias, praia e livros
Waldir Guerra escreve sobre: "Férias, praia e livros"
Artigo – 15/01/2008
Dizem que é mania só de brasileiro fazer da praia o seu lugar para uns dias de férias e para os que não gostam, outros lugares podem até ser melhores, mas gosto é gosto e o brasileiro tem lá suas boas razões para gostar do mar.
Milhares de pessoas fazendo caminhadas pela areia, uma ou duas vezes ao dia, tratando de pôr um pouco mais em forma o corpo, arejando os pulmões e tendo ao lado ondas que quebram com seu barulho gostoso de ouvir. Dar um mergulho na água salgada e voltar para a areia com uma sede danada…
Pena que o tempo passa depressa demais quando se está de férias, mas em contrapartida, os dias e as noites são mais longos quando se está perto do mar. O astral das pessoas é maravilhoso. Indivíduos que mal se conhecem cumprimentam-se como grandes amigos e estendem conversas por horas; assuntos, só alegres.
Apesar do burburinho diário e as mil e uma opções para divertimentos, uma das boas coisas na praia é a vontade de ler (teria algo a ver com o mar? Sei lá…) porque se vê tanta gente lendo ou com livros nas mãos. Foi nessas férias que depois de muitos amos e muitas promessas consegui, finalmente, ler “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa. Hoje compreendo porque minhas tentativas de lê-lo sempre ficaram pelo início do livro; é preciso, para entender melhor o escritor, ter convivido com mineiros, especialmente caboclos e vaqueiros. E, tanto aqui como no Mato Grosso, o que mais se vê, no interior das fazendas, é o linguajar complicado que Guimarães Rosa usa em sua obra. É realmente uma obra-prima – Fiquei pensando se para os mineiros outra obra-prima da literatura brasileira, “O Tempo e o Vento” do gaúcho Érico Veríssimo, lhes seria tão difícil entender os diálogos como é, para os gaúchos, entender o palavreado de Guimarães.
Bons livros, belos passeios, muita comida, tudo na companhia dos três netos que parecem fazer jus à voltagem elétrica de Santa Catarina: 220 volts. Tudo maravilhoso, mas é hora de voltar. Voltar para acompanhar de perto a lavoura plantada; falar e torcer pelas chuvas – até porque nesses últimos anos São Pedro andou um tanto preguiçoso.
Depois, neste ano ainda teremos eleições, com toda aquela movimentação própria de uma grande disputa. Mas isso é coisa para se começar a pensar depois do carnaval – porque no Brasil é assim, o ano realmente começa depois do carnaval.
E por falar em eleições, uma coisa anda me intrigando: os comentários acerca de pesquisas que mostrariam um pré-candidato disparado na preferência popular. Não vi pesquisa nenhuma e é cedo demais para elas. Depois, sou daqueles que acredita na sabedoria popular e que o povo sempre tem razão quando manifesta sua vontade através do voto. Por enquanto o eleitor até pode estar insatisfeito e demonstrar essa insatisfação, mas no momento do voto, ele vai votar no melhor candidato, no mais competente, tenho certeza.
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. ([email protected]/ ).
Fonte: Folha de Dourados



