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Febre Amarela, a bola da vez

Waldir Guerra fala sobre a "Febre Amarela"

Artigo – 21/01/2008

Uma correria só, todo mundo querendo tomar vacina antiamarílica por medo agora de pegar a doença da Febre Amarela. O ano passado o pavor era pela Dengue. É uma verdadeira loucura a Saúde Pública neste país.
 
Você me perdoe dizer, mas depois que a esquerda deste país tomou conta da área da Saúde, quase nada está dando certo, é um sobressalto atrás de outro; ora é mortandade de crianças indígenas por desnutrição; depois uma verdadeira epidemia de Dengue pelo país todo e agora a febre Amarela. Isto para não citar os descalabros dentro dos hospitais públicos brasileiros que para ver a realidade desesperadora basta se fazer uma visita em alguns postos de saúde, ou em algum dos hospitais públicos do interior. Está provado, a esquerda sabe muito bem teorizar, mas da prática não sabe nada.
 
Lembro bem que em 1991, o Ministério da Saúde do Brasil, firmou um convênio com a Bolívia e fez vacinação em massa de toda a população da Província de Santa Cruz de La Sierra onde havia o início de um surto de Febre Amarela. Lembro que o ministro brasileiro foi condecorado com uma medalha pelo governo boliviano por essa ajuda. Agora, o ex-ministro diz ser provável que este novo foco da Febre Amarela tenha se originado na Bolívia. Não duvido, pois teve inicio aqui pelo Centro-Oeste.
 
Também no ano de 1991 – antes da esquerda tomar conta da área da saúde – o Ministério da Saúde determinou a vacinação de toda a população indígena dos Ianomâmis e lembro que uma parte da grande imprensa brasileira caiu de pau em cima do ministro e da sua administração. Contudo, não lembro de a imprensa ter tido a necessidade de comentar casos graves de Febre Amarela pelo Norte do país.
 
O artigo 196 da Constituição diz: “A saúde é direito de todos e dever do Estado…” e o artigo seguinte, 197, “São de relevância pública as ações e serviços de saúde…”. Precisa dizer mais alguma coisa? Não, claro; mas preste atenção que há ali a palavra “relevância” e significa que a questão de saúde no país deve ter por força constitucional, uma prevalência sobre outras coisas também obrigatórias a ser feitas por aqueles que governam.
 
Todos nós sabemos que de 1988 para cá o encargo de garantir a saúde a todos – como determinou a Constituição – é uma tarefa onerosa, mas não me parece que o Brasil esteja incapacitado para deixar de fazê-lo. Nesses quase vinte anos o atendimento à saúde pública nunca pereceu por falta de recursos; pereceu, sim, foi por má gestão, enfim, por incapacidade administrativa e este novo caso – melhor agora tratá-lo como um surto – de Febre Amarela vem confirmar o que afirmo.
 
Não há porque ficar lamentando a perda dos recursos da CPMF e nem mesmo querer implantar uma contribuição substituta porque – repetindo o que muitos já vêm afirmando na imprensa – o país já recuperou essa perda toda só através do acréscimo de arrecadação.
 
A área de saúde precisa deixar de ser objeto de negociação política dentro do governo; ela precisa de gente competente para administrá-la, apenas isso.
 
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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Fonte: Folha de Dourados

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