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O contra-ataque da castidade

Artigo – 22/01/2008

Pois é, li este titulo num jornal italiano e fiquei curioso, pois pensei ser algo de padre ou freira, para minha surpresa a história era outra.
A matéria fala da admiração do povo e dos órgãos de empresa, sobretudo italianos, quando o brasileiro Kaká, eleito agora o melhor jogador do mundo, declarou que chegou ao matrimônio virgem, definido por ele como uma “virtude preciosa para revigorar a vontade e melhorar o amor”. Relato esta notícia sem constrangimento, pois Kaká não é católico, se o fosse seria acusado de arcaico e/ou porque sou padre.
Diz o jornal: “nestes dias, lia-se: ‘a redescoberta da castidade: hoje, é a virtude dos fortes. Psicólogos e sociólogos voltam a lançá-la como estilo de vida’. E ainda: ‘virgindade, eis a nova contra-tendência. Cada vez mais jovens buscam a castidade. É uma maneira de se distinguir das demais’ ”.
Dia oito dedezembro celebramos a festa da Imaculada Conceição, dia 12 do mesmo mês  festejamos a festa da Virgem de Guadalupe, Padroeira das Américas. Ela sempre foi um modelo de pureza, pois é a Mãe do homem e de Deus (Filho), ela se sobressai dentre os seres humanos, pela humildade diante de Deus, aquela pobreza de quem de Deus tudo espera, não de modo passivo, é a espera da salvação – que se realiza para cada ser humano quando se deixa moldar pela vontade do Criador.
Porque se preservou Virgem, Maria foi enriquecida com os dons de Deus, certamente todos os outros (as) que se guardam para Deus, através da vocação para qual são chamados: virgindade ou matrimônio, como o Kaká, todos recebem esses mesmos dons. Deus conseguiu realizar sua maior maravilha, a encarnação de Jesus, porque Maria abriu-se a este Mistério.
“E isto faz-nos compreender que o Senhor tem uma simpatia acentuada pelos pobres, pelos humildes, pelos puros de coração… As realidades frágeis são habitualmente escolhidas por Deus, para manifestar a sua própria onipotência”. Acredito que como Maria, muitos Kakás existam entre nós, capazes de não cair no modismo e na pressa do hedonismo, mas que sabem esperar os planos de Deus.
São Paulo lembra que todos fomos escolhidos antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados, mas demonizamos a palavra santo, como se esta fosse algo pejorativo. Não! Santo é aquele que reconhece sua fragilidade e se coloca nas mãos de Deus, mas conscientes de que nunca deixa de ser gente, que continua nos seus afazeres cotidianos. Santos, são pessoas desapegadas dos bens e de si mesmo, só alguém vocacionado à santidade é capaz de ser casto. Mas nestas pessoas realiza-se algo extraordinário, a pobreza torna-se riqueza, a virgindade leva a maternidade divina, isto é, ser pai e mãe espiritual de muitas pessoas.
Nós seres humanos, às vezes, desprovidos de santidade, gostamos de fazer – nós mesmos – maravilhas, Maria e os santos, contentaram-se (os santos de hoje contentam-se) em deixar que neles Deus realize suas maravilhas.
Do ponto de vista cristão, a castidade é a virtude que governa segundo os princípios da fé e da razão. Pela castidade a pessoa adquire o domínio de sua sexualidade, para ser capaz de integrá-la em uma personalidade compatível. Para o cristianismo não é uma negação da sexualidade, mas sim fruto do Espírito Santo e consiste no domínio de si mesmo, e na capacidade de orientar o instinto sexual para as causas morais ligadas ao crescimento espiritual, psicológico e corporal das pessoas.
Parabéns aos Kakás do nosso tempo!
 
Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados

Fonte: Folha de Dourados

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