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Discriminação e violência sexual ainda preocupam

Dia da Mulher – 08/03/2008

Discriminação e violência sexual ainda preocupam

A situação da mulher melhorou nas últimas décadas, mas ainda há muito que fazer, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas.
O aumento da desigualdade entre os sexos, o fato de 64% dos 867 milhões de analfabetos serem mulheres e de que a maioria dos menores de até 11 anos sem escolaridade no mundo são meninas, são dados preocupantes.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reconheceu que a população feminina ‘ainda sofre discriminação, carência de recursos, além de ter acesso limitado ao poder e ser vítima de violência sexual’.
Embora a maioria dos Governos facilite cada vez mais o investimento em programas de desenvolvimento para a população feminina, e embora mais de 50 países tenham incluído medidas de igualdade entre os sexos na elaboração de seus orçamentos, tais providências ainda não são suficientes.
Estudos elaborados por economistas do banco de investimentos Golden Sachs mostram que investir na educação feminina pode aumentar em cerca de 0,2 ponto percentual o Produto Interno Bruto (PIB) anual de diversos países em desenvolvimento.
A educação é imprescindível para dar fim a um dos problemas mais mencionados na véspera do Dia da Mulher, a desigualdade entre os sexos.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Louise Arbour, denunciou que as leis discriminatórias contra as mulheres continuam presentes nas legislações de quase todos os países, em maior ou menor medida, e entre os casos mais graves estão os relativos aos abusos sexuais.
Arbour destacou que em pelo menos 53 países não foi proibido o estupro pelo cônjuge, motivo pelo qual os homens se beneficiam de impunidade total em relação aos abusos físicos e sexuais contra suas esposas.
Na China, 90 milhões de mulheres, sobretudo no meio rural, sofrem maus-tratos físicos ou psicológicos, sem chances de defesa devido à falta de conscientização e de proteção legal.
Segundo dados de 2004 da Federação de Mulheres da China (ACWF), um terço dos 270 milhões de mulheres casadas no país asiático sofreram algum tipo de maus-tratos.
Outro país afetado pelo problema é o México, onde duas em cada três mexicanas sofrem algum tipo de violência, segundo um relatório do Grupo Interagencial de Gênero (GIG).
Para evitar que a violência cresça, a Anistia Internacional (AI) considera que é preciso erradicá-la em sua origem, ou seja, nas escolas.
A organização pediu para que Governos e autoridades escolares de todo o mundo tomem medidas concretas para acabar com a violência às meninas, especialmente dentro dos colégios.
A AI considera que ‘os Governos falham em relação às meninas no nível mais básico’, e segundo um estudo publicado em virtude do Dia Internacional da Mulher, ‘a violência dentro e no entorno das escolas continua onipresente’.
Alguns grupos como meninas de minorias étnicas, lésbicas ou deficientes, correm risco ainda maior e o estudo também afirma que muitos casos são protagonizados por professores, que podem chegar a oferecer boas notas às alunas em troca de ‘favores sexuais’.

Fonte: Terra

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